• Laura Machado

RESENHAS: Trilogia Angelfall (EE, Susan)


SINOPSE: Quando o mundo que conhecemos está prestes a ser arrasado, é preciso apostar tudo na redenção.Os anjos do apocalipse chegaram e vieram para aterrorizar a humanidade e acabar com o mundo moderno. Gangues de rua tomam conta do dia, enquanto o medo e a superstição dominam a noite. Quando anjos guerreiros sequestram uma menininha indefesa, sua irmã mais velha, Penryn, fará o que for preciso para salvá-la. Até mesmo um acordo com um anjo inimigo. Raffe é um guerreiro caído, que perdeu as asas. Depois de eras lutando suas próprias batalhas, ele é resgatado de uma situação desesperadora pela jovem Penryn, que concorda em ajudá-lo desde que ele mostre a ela como encontrar sua irmã. Viajando por um mundo sombrio e perigoso, eles podem contar apenas um com o outro para sobreviver. Juntos, vão em direção à fortaleza dos anjos em São Francisco, onde Penryn arriscará tudo para resgatar sua irmã e Raffe se colocará à mercê de seus piores inimigos pela chance de voltar a ser inteiro.


Resenha do primeiro livro, Angelfall (em inglês) - A Queda dos Anjos (em português):


Desde o primeiro capítulo, eu estou me perguntando uma coisa: gente do céu, o que é esse livro? Porque, sério, o que é esse livro? Encontrei Angelfall pela primeira vez por acaso, mas ele me veio muito bem recomendado. Parecia ser daquele tipo de livro que é tão bom, que poucas pessoas conhecem. Na verdade, a base da história dele é bem do tipo que atrai quase todo mundo, mas talvez ele seja bem feito demais para as multidões. Quer dizer, quando ele tem cenas de ação (ou seja, praticamente o livro todo), são de ação mesmo. Quando é para o leitor ficar tenso (desde o começo, acredite!), é para ficar tenso de verdade! E tem muitas partes aterrorizantes, principalmente nas últimas sessenta páginas. É um livro definitivamente feito para testar seu sistema nervoso e não deixa a desejar! Talvez a maioria das pessoas prefira algo mais adolescente - ou seja, algo mais fácil, menos cruel e menos assustador. Acredito que essa é a única razão para ele não ter tantos leitores assim (e confesso que até eu tive pesadelos com ele!). Honestamente, esse livro é excelente, a começar pela protagonista. Nunca me identifiquei tanto com alguém tão diferente de mim! A Penryn é exatamente o tipo de personagem tridimensional que eu quero ver em distopias ou livros como esse. Não tem como não gostar dela, não torcer por ela! Os outros personagens são mega interessantes também, desde a irmã dela à mãe esquizofrênica até alguns humanos e anjos pelo caminho.


Outra razão para a maioria das pessoas gostarem é o Raffe, o anjo com quem a Penryn faz um acordo para salvar sua irmã (está na sinopse). Ele é bem típico de livros assim. Eu nem gosto tanto de caras super malhados, fortes e poderosos, e já amei ele! Imagina quem costuma facilmente se derreter por caras assim! Mas a parte mais excelente mesmo do livro é a narrativa, como ela começa já te jogando no meio do apocalipse, no meio do problema, e como o ritmo nunca diminui. Teve até uma hora que eu me fiz questionar a construção do mundo na história - de onde vêm os anjos etc - porque, até então, não tinha nem lembrado que isso importava. Ou seja, até então, eu estava completamente convencida de absolutamente tudo. E depois também, para ser bem honesta, mesmo que só tenha conseguido pouca resposta para minhas dúvidas. Não existe hesitação na narrativa, então é bem difícil de você sentir que algo não encaixou. E também é bem difícil pensar nessas coisas quando você está tenso o tempo todo.



A única razão de eu ter tirado meia estrela da nota é que, no final, a autora fez algo acontecer que daria uma narrativa incrível, mas acabou errando um pouco. Ou seja, pela perspectiva da Penryn (o livro é na primeira pessoa), ela não deveria ter visto e notado tanta coisa. E essa metade de estrela também está faltando, porque, apesar de ter sido feito extremamente bem, eu não sou a maior fã de algumas coisas que apareceram com tanta intenção de transformar os maiores pesadelos de todo mundo em livros. Também é a única razão do livro não ter entrado para os meus favoritos. Eu super recomendo esse livro para todo mundo que gostar de histórias tensas e eletrizantes (nunca pensei que fosse usar essa palavra típica de comercial de filme na televisão) - e principalmente para todo mundo que gosta da trilogia Corte de Espinhos e Rosas. Mas não espere romance e cenas apaixonantes assim, porque Angelfall é basicamente um livro de apocalipse. O romance deve se desenvolver nos próximos livros, no máximo temos uma faísca aqui (uma faísca que conseguiu me fazer chorar, mas mesmo assim).


Resenha de World After (em inglês) - O Mundo Depois (em português):



Pelo que pude ver, esse segundo livro divide as pessoas. Tem quem ache que ele não mantém o nível do primeiro e quem tenha gostado mais dele. Eu concordo que o primeiro é melhor, mas não acho que esse ficou tão para trás assim. Mas uma coisa é certa, a segunda metade do livro é bem melhor que a primeira. Aliás, acho que está mais para o último terço. Apesar de saber que o livro é realmente bom, ele também me ajudou a descobrir que eu não gosto de livros nesse estilo! Fantasia é algo que eu venho descobrindo com cuidado, mas não é nem esse o problema. É toda a atmosfera apocalíptica. Não gosto. Não quero chegar tão perto do limite. Para mim, livros sobre sobrevivência precisam ser estilo Jogos Vorazes mesmo. Esse daqui me deixou durante quase noventa por cento dele me sentindo mal de verdade. Sabe quando você tem um pesadelo bem ruim, aí acorda e, apesar de saber que não aconteceu de verdade, ainda fica com uma sensação bem ruim? Assim. Imagina como não foi divertido para mim ter que passar por isso. Por sorte, eu leio rápido e, em menos de três dias, já cheguei ao final. E, sim, o final é a melhor parte, porque, apesar de ter ainda tanta coisa que parece ter saído de um pesadelo, nem tudo vai de mal a pior. Algumas poucas coisas ainda dão minimamente certo. E a melhor parte de toda a história, que é a interação da Penryn com o Raffe, volta. Eu realmente acho que a autora deixou esse livro pesado demais. Estou exausta já, cansada dele e de todos os problemas, considerando seriamente não ler o terceiro em seguida - ou nunca. Não fiquei assim nem depois de terminar a trilogia Feita de Fumaça e Osso, que tem livros muito maiores que essa. A questão é que a autora lá, Laini Taylor, soube dosar detalhes que me ajudavam a respirar entre acontecimentos. Tinha momentos mais normais, ou em que os personagens faziam comentários ou piadas que ajudavam a dar uma relaxa. Ou então, existia o sentimento entre eles que conseguia fazer todo o sofrimento valer a pena. Esse livro passou tempo demais sem qualquer cena assim. Mesmo estando cansada desse apocalipse e sofrimento dos humanos e sabendo que nunca mais vou ler um livro nesse gênero, tenho que admitir que ele é muito bem feito. A melhor parte desse segundo é a evolução de como a Penryn vê a irmã dela depois do que aconteceu no primeiro. A Paige não é minha irmã, então eu já tinha decidido que tinha mais medo dela do que qualquer coisa, mas aprendi com a Penryn a passar por cima de tudo que me assustava e agora estou com ela, pronta para brigar contra qualquer pessoa que relar na Paige.


Espero de coração que o terceiro seja um pouco mais leve. Pode ter lutas, mas um pouco menos de coisas bizarras, por favor. Eu não tenho tantos livros bobinhos na minha estante para ler depois desses e voltar a respirar normalmente. Preciso que ele pegue leve. Ou que pelo menos tenha mais cenas entre a Penryn e o Raffe. Não cheguei até aqui para ele não aparecer por mais de vinte páginas, né?


Resenha de End of Days (em inglês) - o livro ainda não foi lançado no Brasil:


Acho bom começar dizendo que eu amei o primeiro livro. Ele é completamente cheio de ação e revelações, tem poucas explicações, mas as cenas parecem encaixar tão bem, que nem dá tempo de questionar. O final dele, em compensação, teve alguns detalhes um pouco mais deslocados, mas nada que estragasse o livro. O segundo não foi tão bom. Ele também teve bastante ação, como a trilogia toda, mas começou a ficar bizarro demais. Além de que ele me deixou o tempo todo com uma sensação ruim.


Mas não tem como negar que os dois primeiros livros são muito bons. Eles são lógicos, têm um ritmo realista e situações terríveis, sim, mas bem construídas. Desse terceiro, infelizmente, não posso dizer o mesmo. O fato é que existe um limite. Existe uma certa quantidade de cenas de ação em que tudo dá errado antes de começar a ficar forçado. Existe um limite na bizarrice das criaturas antes de ficar ridículo. Simplesmente existe um limite que, quando se passa, faz a história perder toda a credibilidade e o que antes era assustador se torna bobo e entediante. E foi exatamente esse o problema desse último livro. É até engraçado pensar no quanto eu fiquei impressionada com o primeiro livro e o quanto eu detestei esse. Sério, a leitura foi arrastada, quis largar umas mil vezes e tive que me segurar para não começar a ler por cima. Tem tanta cena que parece que eu já vi antes - não em outras trilogias, mas nessa mesmo, - tanta descrição de céu, de monstros, de roupas etc, que eu definitivamente não estava nem um pouco afim de fingir que estava interessada em ler. Precisei mesmo me forçar a não pular parágrafos.


Na verdade, considero a minha nota até um pouco generosa demais. Dava para ver que a autora estava tentando fazer mais. Mais ação, mais problema, mais tudo, e passou do limite. Passou, aliás, logo no começo. Quando estava chegando mais perto da batalha final, as coisas pareceram melhorar (não a situação da humanidade, isso só piorou). Eu realmente tive a esperança de que o final fosse ser bom, no mesmo nível do primeiro livro. E quase foi. Quando a batalha começa, até eu fiquei orgulhosa dos humanos. Mas aí começa "a piorar" de um jeito muito, mas muito ridículo. Minha vontade era de rir. Sério, se o leitor está revirando os olhos na parte que é para ter mais tensão, tem alguma coisa errada aí. Um final mal feito, exagerado e forçado desses é complicado. Me faz querer ir até minhas resenhas dos primeiros livros e tirar minha recomendação, porque, para ser bem honesta, não sei se vale a pena ler os outros dois para chegar nisso daqui. A única parte boa talvez seja que os três livros são pequenos. Se você tiver muita força de vontade, talvez consiga acabar super rápido. E, se eu posso dar um conselho a quem já decidiu ler, dê bastante tempo entre o segundo livro e esse. Eu li os três direto e só posso pensar que isso não ajudou (apesar de que aposto que nunca leria esse se tivesse feito uma pausa na trilogia).

Honestamente, meu grande amor pela Penryn, o Raffe, a Paige e outros personagens está um pouco morno agora. Lembro de adorá-los, mas, exatamente agora, quero me manter longe de todo esse universo. Sim, meu sofrimento para ler foi desse tanto mesmo. Mas tenho certeza de que daqui a alguns dias vou voltar a me lembrar das partes boas da história e voltar a me importar com os personagens. Isso acontece às vezes.



Só uma última crítica. O romance, que sempre foi mega pano de fundo, foi bem feito aqui até quase o final. Na última cena, na que deveria ser mais importante, fiquei com a impressão de que a própria autora estava desconfortável e não soube fazer uma cena bonita. Ficou quase mais forçado do que as milhares - leia-se, milhares - de cenas de lutas de antes. Foi impossível não comparar à trilogia Feita de Fumaça e Osso, que é muito melhor que essa e que eu li mais rápido, mesmo tendo o dobro de páginas dessa. Se você ainda quer ler a trilogia, boa sorte. Espero que goste mil vezes mais do que eu, porque ninguém merece ficar sofrendo com leitura arrastada e chata. Minha nota 2,5 é só pela escrita mesmo e pelos personagens, que nunca chegaram a serem mal construídos ou mal desenvolvidos. E pela esperança de que, se algum dia nós chegarmos ao "apocalipse", teremos pelo menos um pouco de humanidade sobrando para nos levantarmos depois.




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