• Laura Machado

RESENHA: Operação Red Sparrow (Matthews, Jason)


Sinopse:

Desde pequena, o sonho de Dominika Egorova era fazer parte do Bolshoi, o balé mais importante da Rússia. Após ser vítima de uma sabotagem, porém, ela vê sua promissora carreira se encerrar de forma abrupta. Logo em seguida, mais um golpe: a morte inesperada do pai, seu melhor amigo. Desnorteada, Dominika cede à pressão do tio, vice-diretor do serviço secreto da Rússia, o SVR, e entra para a organização. Pouco tempo depois, é mandada à Escola de Pardais, um instituto onde homens e mulheres aprendem técnicas de sedução para fins de espionagem. Em seus primeiros meses como pardal, ela recebe uma importante missão: conquistar o americano Nathaniel Nash, um jovem agente da CIA, responsável por um dos mais influentes informantes russos que a agência já teve. O objetivo é fazê-lo revelar a identidade do traidor, que pertence ao alto escalão do SVR. Logo Dominika e Nate entram num duelo de inteligência e táticas operacionais, apimentado pela atração irresistível que sentem um pelo outro.


O QUE EU ACHEI:


Quando o filme inspirado em algum livro é lançado, o livro sempre acaba ficando mais conhecido, principalmente entre as pessoas que gostaram muito do filme. Mesmo super apoiando a popularidade que Red Sparrow está ganhando com o filme, acho bom começar deixando claro que não é todo mundo que vai gostar do livro.


Eu tinha expectativas para ele, é claro, mas muitas delas eram 'ruins'. Ou seja, esperava que ele não fosse muito rápido, que fosse mais sério, que tivesse muitos detalhes e que era o primeiro livro de um autor que nem sempre foi escritor. Esperava também que fosse um livro com personagens complexos, com trama inteligente e que mostrasse lados feios e lados bons da vida de espião. Absolutamente todas as minhas expectativas foram correspondidas, mas nem sempre para o bem. Vou começar falando de algo que gostei no livro, os personagens. Todos foram bastante complexos, até mesmo os mais secundários. O jeito do Jason Matthews de narrar ajudou a mostrar a história de vida de todo mundo, mesmo de quem aparecia pouco, o que foi sempre interessante. Não me decepcionei realmente com os protagonistas, a Dominika e o Nate, mas eles não conseguiriam fugir de duas das minhas críticas. Como muitas outras coisas, seus sentimentos e ações foram descritos de um jeito um pouco técnico demais. Foi impossível não notar que os dois poderiam ter tido muito mais carisma, mas que a narrativa atrapalhou nesse caso. Essa é crítica (que vou explicar mais para baixo) que afetou bastante os personagens. A outra é especificamente para eles. Eu leio na maior parte do tempo livros escritos por mulheres e sou bem feliz assim. Deu para ver em muita coisa, principalmente sobre a Dominika, que este livro foi escrito por um homem. Do mesmo jeito que já vi escritoras mulheres às vezes exagerarem e transformarem seus personagens homens em idealizações, Jason Matthews fez isso com Dominika. As minhas cenas favoritas do livro eram dela, principalmente quando ela interagia com o Nate, mas algumas ficaram bem forçadas, um pouco toscas e claramente feitas pela imaginação de um homem hétero. Pior ainda era o quanto a maioria delas era desnecessária. Por causa disso principalmente, e por todo o resto, o romance muitas vezes se tornou desconfortável, um pouco difícil de convencer. O livro parece ser uma junção de dois livros diferentes, na verdade. As duas metades têm o mesmo ritmo e alguns dos mesmos problemas, mas o romance e a relação dos dois é melhor na primeira, que ironicamente é aquela em que eles ainda não têm realmente um romance declarado. A vantagem de ter um ex-espião escrevendo o livro ficou clara quase o tempo todo. Sempre que alguma técnica, algum detalhe ou algum procedimento aparecia e era discretamente explicado, dava para ver a competência do autor nessa questão. Essa parte foi sempre interessante também, mesmo que ele ter sido espião tenha causado um dos meus maiores problemas com o livro. Dá para ver que Jason Matthews não é escritor em primeiro lugar. Falta um pouco mais de desenvoltura na prosa dele, de ritmo narrativo. Eu já esperava que o livro fosse muito detalhado, mas ele passou do limite nessa questão. Dá para entender, é claro. Ele veio de uma profissão em que precisava prestar atenção a tudo de um jeito quase técnico, e sua narrativa mostra isso o tempo todo. As inúmeras descrições de cômodos, roupas e comidas atrapalham demais e não são necessárias em nenhum momento para absolutamente nada. Isso deixou o livro em um ritmo muito arrastado e lento, com muita, mas muita informação inútil que atrapalha o foco na trama. E o problema não são só as descrições. Eu esperava que o livro fosse mais sério e centrado, não alucinado e cheio de cenas de ação, mas, do jeito que foi escrita, a história nunca chegou a me envolver de verdade. Teve uma única cena em que me senti realmente intrigada pelo que aconteceria, mas voltei a perder o interesse umas cinco páginas depois. O enredo não é dos melhores, extremamente linear e sem clímax, sem tantos mistérios, sem reviravoltas. Para um livro de espionagem, ninguém inesperado foi traidor e nenhum segredo foi mantido longe do leitor. Nas últimas páginas teve uma sombra de uma reviravolta, mas que não chegou a fazer qualquer diferença mais para mim.


Mesmo assim, o enredo não teria sido um problema se a narrativa fosse mais atraente, mais dinâmica. Queria que o livro tivesse me entretido mais, e não se tornado quase um peso que eu tinha que terminar. Ainda tenho esperanças de que o próximo seja melhor, já que esse foi o primeiro e (quase) todo mundo fica melhor a cada livro que escreve. Foram poucos, mas em alguns momentos tive a clara impressão de que o autor pode se tornar um grande contador de histórias, em vez de um cara que sabe fazer um relatório detalhado sobre um caso de espionagem, como esse livro pareceu ser.

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