• Laura Machado

RESENHA: Filhos de Sangue e Osso (Adeyemi, Tomi)


Sinopse:

Zélie Adebola se lembra de quando o solo de Orïsha vibrava com a magia. Queimadores geravam chamas. Mareadores formavam ondas, e a mãe de Zélie, ceifadora, invocava almas. Mas tudo mudou quando a magia desapareceu. Por ordens de um rei cruel, os maji viraram alvo e foram mortos, deixando Zélie sem a mãe e as pessoas sem esperança. Agora Zélie tem uma chance de trazer a magia de volta e atacar a monarquia. Com a ajuda de uma princesa fugitiva, Zélie deve despistar e se livrar do príncipe, que está determinado a erradicar a magia de uma vez por todas. O perigo espreita em Orïsha, onde leopanários-das-neves rondam e espíritos vingativos aguardam nas águas. Apesar disso, a maior ameaça para Zélie pode ser ela mesma, enquanto se esforça para controlar seus poderes — e seu coração. Filhos de Sangue e Osso é o primeiro livro da trilogia de fantasia baseada na cultura iorubá O Legado de Orïsha está sendo adaptado para o cinema.


O QUE EU ACHEI:


Não dá para negar que expectativas costumam ditar se você gosta ou não de uma leitura. A questão nem é só ter altas ou baixas expectativas, mas esperar aquilo que o livro vai mesmo entregar. Uma linda história inspirada em contos de fadas vai decepcionar quem esperava ação e intrigas políticas, um livro contemporâneo e adolescente sempre vai parecer infantil para quem espera uma história adulta. Isso não diminui um livro, não é o que determina sua qualidade. Ter as expectativas certas te ajuda a julgá-lo como merece.


Children of Blood and Bone teve um dos maiores hypes que eu já vi. Praticamente todas as pessoas em quem eu mais confio para resenhas já leram e deram pelo menos quatro estrelas. Isso fez ser impossível eu não ter nenhuma expectativa. Tinha horas que pegava o livro nas mãos e desistia de ler, só porque sabia que estava já animada demais para ele, a ponto de talvez ofuscar sua verdadeira história. Ainda não sei como é possível ter tantas expectativas para um livro e ver todas elas se concretizarem, no meio de várias outras surpresas ainda. Esse livro vale por toda uma trilogia. O desenvolvimento dos personagens, mesmo que às vezes tenham me parecido um pouco rápidos (principalmente para a Amari), foi o suficiente para uma série toda. O enredo mais ainda. Esse livro poderia facilmente ser único se a autora quisesse. E aqui entra minha crítica para ele, mesmo que não seja o suficiente para tirar parte da nota: as dificuldades e os obstáculos que os protagonistas precisaram superar foram um pouco demais. Foram tantos, aliás, que o enredo parece mesmo o suficiente para pelo menos dois livros bem movimentados. Dava para tirar uns dois obstáculos que ajudaria o livro a não parecer tão extremo como ficou, a ponto quase de se tornar forçado. Tenho mais medo ainda das expectativas que esse me fez criar para o próximo, porque vai ser bem difícil superá-lo.


Mas é um livro ideal para quem ama fantasia, quem quer ver personagens reais e complexos tentando lidar com a responsabilidade de salvar um povo e quem quer passar algumas horas em um mundo novo que teve como inspiração uma cultura que definitivamente deveria já ter aparecido mais por outros livros famosos. Esse livro junta todos os melhores elementos da fantasia, mas em um mundo tão incomum nessa literatura, que faz dele único. Minha parte favorita de toda a história, e minha maior surpresa, foi a relação da Amari com a Zélie, aliás. Mesmo se todo o resto não tivesse sido emocionante, divertido e interessante quanto for, só de assistir as duas irem de desconhecidas à companheiras já teria valido a pena. O romance de cada uma delas é bem bacana também, principalmente o da Zélie, mas não chega nem perto do quanto foi lindo ver a confiança uma pela outra crescer nelas, como as irmãs que sempre deveriam ter sido. Por mais livros assim!

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