• Laura Machado

RESENHA: Um Encontro de Sombras (Schwab, Victoria)


Sinopse:

Kell e Lila estão de volta nesta sequência de Um tom mais escuro de magia Quatro meses se passaram desde que a pedra sombria caíra nas mãos de Kell. Quatro meses desde que seu caminho cruzara com o de Delilah Bard. Quatro meses desde que Rhy fora ferido, que os gêmeos Dane foram derrotados e que a pedra fora enviada com o corpo moribundo de Holland, pelo portal, de volta para a Londres Preta. Em diversos aspectos, as coisas quase voltaram ao normal, apesar de Rhy ficar mais tempo sóbrio e de Kell estar sempre assolado pela própria culpa. Inquieto e tendo desistido dos contrabandos, Kell é frequentemente visitado por sonhos sobre acontecimentos mágicos de mau agouro, acordando apenas para pensar em Lila, que desapareceu no píer como sempre desejara fazer. Conforme a Londres Vermelha finaliza as preparações para os Jogos Elementais (uma competição de magia internacional e extravagante com o intuito de entreter e manter saudáveis os laços entre os países vizinhos), certo navio pirata se aproxima, trazendo velhos amigos de volta ao porto da capital. Mas, enquanto a Londres Vermelha está absorta em bajulações e nas emoções dos Jogos, outra Londres está gradualmente voltando à vida, e aqueles que se pensava estarem perdidos para sempre retornaram. Afinal, uma sombra que se esvai no meio da noite reaparece pela manhã, e tudo indica que a Londres Preta se ergueu novamente. Sendo assim, para manter o equilíbrio da magia, outra Londres deve perecer.


O QUE EU ACHEI:


Ninguém está mais surpreso do que eu por uma nota tão baixa para a continuação de um livro que eu tinha achado incrível. Juro que eu não esperava grande coisa. Sempre leio resenhas dos livros antes, e isso muitas vezes me faz ajustar minha expectativa. Para esse, já comecei esperando que nada fosse acontecer até quase o final. Eu estava preparada, armada com meu amor pelos personagens principais, Kell e Lila, achando que seria diferente para mim. Imagine meu espanto quando continuar lendo o livro se tornou uma obrigação da qual eu queria fugir loucamente. Antes de mais nada, quero deixar claro que a autora escreve muito bem. Não tem como negar a complexidade do seu universo, a habilidade de deixar muita coisa subentendida, de trabalhar cenas sem deixar nada óbvio, sem explicar nada, mas ainda assim conseguindo passar mais do que você vê nas linhas e do seu talento para dar milhares de camadas para cada personagem, não se enrolar em nenhuma e não forçar nada para agradar leitores. Victoria Schwab é extremamente talentosa, e eu pretendo ler todos seus livros ainda.

Dito isso, tenho que admitir que esse livro não é divertido. Ele é pesado. É parado. Te faz se perguntar por que está lendo. Sim, eu acho que personagens incríveis são o suficiente para ficar lendo sem parar, mas isso quando o universo não é complexo e pesado. Se essa fosse uma história mais simples, seria bem mais fácil de agradar. Mas cada cena desse livro tem conteúdo, tem propósito, ainda que não claro e bem direcionado. Não tem nenhuma por pura razão de descontração e diversão. De fato, não me lembro de nenhuma cena realmente divertida do começo ao fim. Foram quinhentas páginas de informações, bem trabalhadas, mas pesadas demais. Minhas expectativas estavam certinhas. Não aconteceu nada por mais de trezentas páginas de um livro de quinhentas (li a versão britânica). Kell e Lila só se encontraram quando faltavam menos de cem para mim (é bom já ir ajustando sua expectativa aí também, ou você pode se frustrar - tá, talvez se frustre mesmo assim). Os jogos dos elementos (traduziram assim?) são interessantes mas essencialmente inúteis. E esse segundo livro não poderia ser descrito como nada além de uma ponte para levar ao terceiro. Quando a história parece que vai mesmo acontecer, ele acaba. E minha vontade de ler o último está se escondendo por enquanto (se alguém a vir, me avise). Não sei se funcionaria, mas, se eu fosse a autora, teria feito o livro começar nos jogos e transformaria todo o resto em lembranças ou voltaria com a narração para ir alimentando o que precisava de desenvolvimento. E, aliás, vale lembrar que a única coisa que eu acho que precisava mesmo de desenvolvimento era o Alucard, que apareceu pela primeira vez e precisou nos conquistar antes de mostrar para que veio (e conquistou, admito, desde sua primeira cena). De resto, não havia mesmo a necessidade de contar cena por cena e só serviu para quebrar todo o ritmo da história. Se você já leu Six of Crows, pense comigo, imagine que a Leigh Bardugo tivesse decidido começar sua historia quando todos eram crianças, em vez de usar suas histórias de vida como lembranças durante a parte que realmente importa. Sem rumo mesmo, sem propósito além da passagem dos dias. Quanto tempo você aguentaria ler sem se perguntar por que estava ali, por que aquilo tudo era relevante? Eu não passaria do primeiro quarto, e super me considero compreensiva. Existem outros problemas pequenos no livro. O Rhy é um deles, na minha opinião. Se eu fosse o Kell, teria me matado só para ele morrer, de tanto que a infantilidade dele me irritou no começo. Mas o problema não é ele ter sido irritante, muitas pessoas são, não faria sentido esperar que todas sejam agradáveis; o problema foi ele ter mudado tão rápido do nada depois de alguns capítulos. Primeira vez em que eu vejo a autora dar um tropeço desses no desenvolvimento de um personagem, mas fiz questão de relevar. O Kell foi deixado para trás nesse livro, o foco realmente é da Lila. O desenvolvimento dele é bem pequeno, se comparar seu final com o começo. Fiquei até um pouco incomodada com o da Lila - já está passando da hora de ela se desapegar de algumas coisas e mudar em algumas questões, - mas o do Kell foi quase inexistente. Pareceu só um jeito de preparar o terreno para o próximo livro. Aliás, a relação dele com os "pais" me deu raiva demais! Não sei como ele não se descontrolou quando eles deram, na minha opinião, mais do que razão necessária para ele se tornar um vilão. Eu já teria colocado fogo no castelo, admito. Mas Kell é aparentemente uma pessoa melhor que eu. E, sim, a Lila tem alguns problemas também, como ela sentir que não é como as outras garotas, mas eu entendo isso como seu jeito de não se identificar exatamente como uma garota (ou o que propõem para as garotas na sua época e nesse universo). Não, ela em nenhum momento fala isso, também nem precisa especificar o que acha que é, nem precisa dar nomes. Não vi ela tentando diminuir outras garotas, ainda mais que não existem outras garotas relevantes no livro (e essa é uma crítica de verdade. Tem muitos homens interessantes aqui e uma única garota, como se só a protagonista precisasse existir). Ela só é ela mesma, complicada, contraditória, um poço de insegurança e arrogância e coragem e covardia, que é uma coisa linda. É uma das minhas personagens favoritas, mas não conseguiu aguentar o peso de um livro parado como esse, nem com a ajuda do Alucard e do Kell.


O fato é que eu não me diverti lendo, fiquei rezando para acabar logo e desisti de ler o terceiro em seguida. Claro que ainda vou ler, em algum momento, mas não agora. Se fosse ler agora, já começaria odiando tudo e me recuso a aceitar que vou terminar essa trilogia com raiva e desgosto. Vou me deixar esquecer de como foi difícil terminar esse. Quando eu só lembrar do quanto amo a Lila, com todos seus defeitos e problemas (ver pessoas a criticando só me mostra como as pessoas realmente odeiam garotas que não são perfeitas), o Kell, com seu jeito nobre e seus mistérios e o Alucard, que é dono do meu coração agora, parte de um dos meus ships favoritos. São eles que vão me fazer querer continuar a trilogia outra vez.

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