• Laura Machado

RESENHA: Um Milhão de Finais Felizes (Martins, Victor)


Sinopse:

Jonas não sabe muito bem o que fazer da vida. Entre suas leituras e ideias para livros anotadas em um caderninho de bolso, ele precisa dar conta de seus turnos no Rocket Café e ainda lidar com o conservadorismo de seus pais, sua mãe alimenta a esperança de que ele volte a frequentar a igreja, e seu pai não faz muito por ele além de trazer problemas. Mas é quando ele conhece Arthur, um belo garoto de barba ruiva, que Jonas passa a questionar por quanto tempo conseguirá viver sob as expectativas de seus pais, fingindo ser uma pessoa diferente de quem é de verdade. Buscando conforto em seus amigos (e na sua história sobre dois piratas bonitões que se parecem muito com ele e Arthur), Jonas entenderá o verdadeiro significado de família e amizade, e descobrirá o poder de uma boa história.


O QUE EU ACHEI:


Eu tive a sorte enorme de estar na fila do estande da Globo Alt na bienal com esse livro na mão, quando me virei para trás e percebi que o Vitor estava ali, assinando exemplares de quem tinha comprado. Esse foi o segundo sinal de que eu amaria Um Milhão de Finais Felizes (o segundo foi o que me fez entrar na fila, ou seja, o "E piratas gays" escrito logo abaixo do título na página de rosto!). E o terceiro foi ver o copinho desenhado e escondido atrás da orelha da biografia do autor (procure!). Para ser bem honesta, sempre tenho medo de ler livros nacionais, porque os autores estão a um alcance bem mais próximo e podem muito bem ler sua resenha. Não quero magoar ninguém, mas não tem nada que importa mais para mim do que ter o direito de dar minha opinião sem medir palavras. E é tão bom poder encontrar um livro como esse, sobre o qual eu posso falar tudo que senti, porque foram tantas coisas boas e incríveis!


Essa capa é maravilhosa, estou disposta a dar um rim pelos botons, mas já vou avisando que esse livro não vai só te fazer rir, como chorar também e te dar vontade de entrar na história para adotar o Jonas e não deixar ele nunca mais se sentir culpa de nada (pensa no aperto no coração que eu sentia a cada vez que ele achava que era culpado de tudo! Ninguém merece levar o peso de todas as coisas ruins do mundo nas costas, Jonas menos ainda). Sim, eu ri muito mesmo, li várias partes sorrindo igual uma louca, mas esse não é um livro leve e para passar o tempo. Estou realmente impressionada com a criação do Jonas, que foi bem mais complexo e interessante do que eu achava que seria. Tá, eu realmente achava que esse livro seria só leve e descontraído, mas todas as questões do Jonas com a família, com Deus e consigo mesmo foram extremamente bem trabalhadas, com bastante compreensão e cuidado e sem forçar nada. Jonas é um personagem maravilhoso e sua história é muito mais rica e emocionante do que a capa faz parecer que é. Amei também como a história do livro é bem focada nele, mas ele não é de jeito nenhum o centro da vida de todos os amigos, como acontece com muitos livros. Realmente parece que você está lendo sobre a vida de alguém que existe, rodeado de outras pessoas incríveis e complicadas que existem, o que só deixa o livro ainda melhor! O tom da história ainda consegue ser bem esperançoso, mesmo com tanto realismo e coragem e sem medição de palavra da parte do autor. É daqueles que te fazem sentir que acabou de respirar fundo pela primeira vez em muito tempo e que quer abraçar o livro e não largar mais.


Já disse que amei? E que todo mundo deveria ler? Ainda tenho umas pequenas críticas para fazer (como sempre, né), mas não ache que elas estragam alguma coisa, porque são só detalhes mesmo! A primeira é para o começo. Dá para ver que o autor ainda não tinha pegado o jeito da história, porque a narrativa não é tão natural nos primeiros capítulos. Tem bastante coisa explicada do nada e muitas cenas acabam parecendo uma lista de ações. Mas isso melhora logo e, mesmo quando ainda está acontecendo, já dá para ver o potencial na voz do Jonas como narrador. A outra é para a história dos piratas gays! Não me levem a mal, ainda achei incrível a ideia e como as partes dessa história não estragaram o ritmo e tinham mesmo um propósito (diferente, por exemplo, da história do Simon Snow no livro Fangirl, que ainda adorei mesmo assim), mas faz anos que eu estou louca por uma história de piratas gays e, depois da recente decepção com These Rebel Waves (não li, mas já avisaram que o rumor de piratas gays lá foi infundado), eu estava louca para essa parte aqui! Mas não tem ambientação nela realmente, a linguagem ainda é muito parecida com a história principal do Jonas e as vezes em que a palavra "pirata" é repetida só tiram mesmo a credibilidade dos piratas. Ou seja, não vá esperando um conto fantástico no meio de um livro contemporâneo, senão você vai se decepcionar e eu não quero ninguém pensando em decepção e esse livro na mesma frase, obrigada. Eu tenho que falar minhas críticas, mas vocês não precisam se lembrar delas. Só precisam confiar que esse livro é um pedaço de amor que o autor soltou no mundo e que todo mundo precisa ler e trazer para a sua vida. Por mais livros como esse, por favor!

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