• Laura Machado

RESENHA: Anne de Green Gables (Montgomery, Lucy M.)


Sinopse:

Uma menina de 11 anos, com cabelos ruivos, sardas e uma mente tão perspicaz quanto a de um cientista em busca de conhecimento, chega a uma terra onde as tardes são calmas; os pores do sol alaranjados; as florestas aconchegantes; e os rios suaves, como o ritmo do povoado. Sua boca é uma matraca, e seus sonhos são maiores que moinhos de vento. Anne vai crescendo e crescendo, e de patinho feio revela-se um elegante e atento cisne, pronto para abrir suas asas e voar para além das veredas. Mas a vida é feita de artimanhas, e a garotinha adotada pelos irmãos Marilla e Matthew tem algumas cercas a pular, sem jamais deixar seus sonhos desvanecerem, como algumas criaturas fazem.


O QUE EU ACHEI:


Como pode ter acontecido com várias outras pessoas, eu conheci a Anne e me interessei pela sua história através da série da Netflix, que é encantadora e me conquistou logo no começo. Depois de ler esse primeiro livro, gosto ainda mais da série, porque percebi que os roteiristas realmente entenderam a essência da história e, até nas liberdades que se deram para criar situações, souberam exatamente como interpretá-la e traduzi-la. Gostei bastante do livro, vou explicar logo por que e o que poderia ter sido melhor, mas a série é minha preferida.


O começo do livro tem exatamente o espírito da série, as cenas vão se desenvolvendo devagar, a Anne é ainda mais falante, dramática e sonhadora aqui e foi ótimo poder ler sobre os pensamentos e sensações da Marilla e do Matthew, por exemplo. Como um livro escrito há tanto tempo, a religião aqui tem um papel bem mais importante e todos os detalhes mais modernos encontrados na série não estão aqui (por um lado, infelizmente; por outro, acharia difícil ter mesmo). Outro ponto alto do livro é a escrita. Estava com medo no começo de ser muito difícil ou parada, mas não é nem de longe. É uma leitura muito leve e rápida. Claro que a linguagem não é como a de hoje em dia, mas tampouco é muito diferente. Eu li a versão em inglês, original, então não sei dizer sobre a tradução, mas gostei bastante do jeito levemente irônico da autora de escrever. Mas existe um problema muito grande aqui de ritmo. O começo do livro é realmente ótimo, você vê que a autora usa mais ou menos cinco capítulos para falar de um ou dois dias, mas porque ela precisa de todo esse tempo. Esse jeito de explorar melhor cada cena não chega nunca a ficar chato, pelo contrário. Foi a parte mais interessante da história. Mas, conforme o tempo vai passando, todas as cenas vão sendo explicadas cada vez mais rápidas, com algumas poucas realmente acontecendo durante a narração (e não sendo contadas pela Anne). Muitas vezes fiquei com a impressão de ser a Marilla, de só ouvir a Anne me contando depois o que aconteceu, porque pouca coisa era realmente vivida durante a história. Isso não é muito bacana. E foi ficando cada vez pior. Depois que a Anne fez treze anos, tudo começou a correr e parecer um resumo! Dos quatorze aos dezesseis anos dela, não tem quase nenhuma cena sendo descrita e é tudo contado por cima. E aí no final, os últimos capítulos voltam a ficar mais estáveis e a descrever as coisas. Honestamente, a pior parte disso tudo foi o desenvolvimento da Anne, que foi passado completamente por cima. Um belo dia, ela simplesmente não era mais tão falante e nem tão perdida. Do nada, ela era adolescente e madura. Não estou falando que ela ficou incoerente, ainda dá para ver a essência da Anne ali, mas a gente não a acompanha pelo livro, só nos contam sobre ela. O livro teria sido bem melhor se só tivesse a primeira metade, mas não posso chegar a dizer que me decepcionei, ainda mais quando continuo querendo ler os próximos. Ele só podia ter sido bem melhor. Minha nota é de 3,5.


E talvez essa seja a razão para eu gostar cada vez da série da Netflix. Além de que os roteiristas lá não estão com pressa para chegar no final da adolescência da Anne, o próprio enredo de cada episódio consegue ser mais complexo e bem trabalhado do que aqui, com um desenvolvimento maior na Anne. Ainda assim, obrigada, Lucy Montgomery, por tê-la criado.

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