• Laura Machado

RESENHA: O Projeto Jane Austen (Flynn, Kathleen A)


Sinopse:

Inglaterra, 1815. Rachel e Liam são dois viajantes do futuro que chegam à antiga Londres com a missão mais audaciosa do que qualquer viagem no tempo que já ocorreu: encontrar Jane Austen, ganhar a confiança dela e roubar um manuscrito inacabado. Ela, uma médica; ele, um ator. Selecionados e treinados cuidadosamente, tudo o que Rachel e Liam têm em comum é a admiração pela autora e a situação extraordinária em que se encontram – e que obriga Rachel a colocar seu jeito independente de lado e deixar Liam assumir a liderança enquanto se infiltram no círculo da família Austen. Além do desafio de viver uma mentira, Rachel luta para diagnosticar a doença fatal de Jane. À medida que a amizade das duas se fortalece e o seu relacionamento com Liam torna-se complicado, Rachel faz de tudo para reconciliar seu verdadeiro eu com as convicções da sociedade do século XIX. O tempo está acabando. Rachel e Liam conseguirão deixar o passado intacto? Depois desse encontro com Jane Austen, a vida que os espera no futuro será o bastante?


O QUE EU ACHEI:


Esse é o livro mais difícil de avaliar de todos que já li. Os dois primeiros terços dele valem quatro estrelas, mesmo com alguns defeitos que são presentes em todo o livro. Mas o último terço é bem ruim, talvez não mereça nem duas estrelas. O último capítulo, aliás, foi especialmente péssimo, e a única razão que consigo pensar para isso foi a autora já ter perdido a inspiração para essa história no meio do caminho. Honestamente, ainda acho que é um livro interessante para alguém que quer ler sobre a Jane Austen como personagem, que queira aprender um pouco sobre a vida dela e de seus parentes (já que a protagonista tinha estudado sobre a vida e menciona vários fatos desde o começo), mas que não espere um livro para mudar sua vida. Eu mesma fui com bastante cuidado para não criar expectativas, mas é difícil quando um livro junta dois amores meus, Jane Austen e viagem no tempo. Essa foi uma das ideias mais incríveis que já encontrei e ela, apesar de ter passado uma boa parte do livro tendo sido bem aproveitada, deixou a desejar.


Acredito que o maior erro fatal do livro - que ganha até do final e do último capítulo, já que ele esteve presente desde o começo, - foi a protagonista. Acho que nunca encontrei uma personagem narradora com tão pouco carisma na minha vida. Ela não é uma pessoa ruim, mas todas suas qualidades não têm peso nenhum quando eu nunca consegui me sentir levemente interessada pelo seu ponto de vista na vida. Além de ter uma personalidade incrivelmente entediante, ela nunca se aprofunda de verdade de um jeito único, só dela. Talvez o contraste entre sua pessoa e as antigas à sua volta parecesse suficiente para um leitor se identificar com ela na opinião da autora, mas definitivamente não foi para mim. Rachel é, em uma única palavra, esquecível. Como alguém que viaja no tempo para roubar um manuscrito da Jane Austen consegue não ser memorável? Além disso, toda a questão sexual e romântica dela chega a se tornar irritante rapidamente. Muitas vezes, senti que a autora estava tentando criar um romance digno de Jane Austen, outras que estava tentando fazer o oposto, mostrar realismo na sua época, um realismo que não aparecia em seus livros. O que sobrou foi um erro enorme em forma de romance superficial e um desperdício do seu colega, Liam, que parecia ter uma personalidade bem mais profunda e com mais potencial para ser desenvolvida, e acabou mantendo praticamente a mesma incógnita que o mundo de onde eles saíram. Aliás. Esse mundo. Meu deus, que criação péssima desse futuro. Durante o livro todo, eu estava até aceitando as indiretas vagas, mesmo que já cultivando a opinião de que esse foi outro erro da autora, que deveria ter deixado o mundo como o nosso, com a única diferença da criação de viagem no tempo - algo que poderia ter sido explicado como sigiloso. Mas, conforme o livro passa, a autora começa a dar outras indicações desse futuro que só se complicam mais, fazem menos sentido ainda, parecem lúdicas só como menção e nunca são explicadas, talvez em uma tentativa de evitar infodumps. Nunca vi um mundo futurístico mais chutado, mais aleatório e desnecessário. O livro seria tão melhor sem isso. Mas ele não estaria curado de outro problema presente do começo ao fim (e que fica pior a cada vez que se aproxima mais do fim). Esse livro é, infelizmente, um pouco lento demais, de vez em quando se tornando entediante também. O ritmo dele poderia ter sido bem mais emocionante, emocionante talvez como um livro da Jane Austen ou qualquer romance de época moderno mais exagerado e forçado, só para criar um apelo maior para a história. Mas coloco a culpa disso mais na protagonista sem carisma e qualquer desenvoltura para deixar tudo mais divertido.


Depois de tantas críticas, minha nota parece até ridícula, não? Mas tenho que admitir que algumas partes do livro, algumas cenas, interações e conversas mais do que me satisfizeram. A personagem Jane Austen, por exemplo, foi ótima e em nenhum momento me decepcionou. Adorei como os protagonistas a conheceram pela primeira vez, fiquei nervosa como se fosse comigo, e a relação dela com a Rachel também se desenvolveu de um jeito bacana. É realmente uma pena esse livro não ter sido melhor. Então, se você está curioso para a história, leia sem expectativas. Mesmo não sendo um livro ótimo, é uma experiência bem interessante.

#resenha

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