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Dicas de Como Escrever uma História: A Inspiração

September 19, 2016

 

    Inspiração. A palavra mais amada e odiava por todos os escritores que eu conheço. E não é para menos. Quando ela vem, você consegue escrever vários capítulos em poucos dias, cada um mais emocionante e marcante que o outro. Você sente a história virar uma montanha russa, tomar vida e se desenrolar à sua frente quase que por vontade própria, alheia aos seus dedos e seu controle. Mas, quando ela não vem, tudo que consegue fazer é passar horas olhando para uma folha em branco.
    Inspiração é uma dádiva, é a magia que lhe faz escrever e amar todas suas palavras. Mas costumamos só nos lembrar dela quando a sentimos virar maldição. E, quando sua falta fica mais profunda, até lhe damos o nome de bloqueio.
    Aqui, eu vou lhe dar dicas de como contornar seus desencontros e atrair a inspiração. Mas não aquela de começo. Não. Sobre aquela, eu falei no capítulo da Ideia. Dessa vez, vou falar sobre como recuperá-la. Inspiração para o início é fácil. Vou é contar como mantê-la até o capítulo cento e vinte, cento e cinquenta e por aí vai.

    A primeira coisa que todo escritor ou até artista deve saber é que não se pode esperar pela inspiração. Isso dá para aprender em dicas ou até mesmo escrevendo. Dá, claro, para a inspiração vir sozinha. Como escritor, você é naturalmente mais criativo do que outras pessoas e a inspiração pode e vai em algum momento nascer dentro de você até mesmo sem que você perceba. Mas, quando você faz da escrita um hábito ou uma carreira, precisa bem mais do que só o acaso. Precisa se levantar e ir atrás da inspiração com as próprias mãos. Isso, lógico, sem deixar de aproveitar os momentos em que ela aparece por vontade própria.
    Mas como fazer isso? Eu tenho algumas técnicas que funcionam comigo.

 

    No resto do mundo:


    Como falei no post da Ideia, uma coisa que me inspira muito é o cinema. O clima, o escuro e talvez até mesmo o fato de que eu sou obrigada a ficar presa dentro dos meus próprios pensamento me fazem refletir sobre minhas próprias histórias. Muitas vezes o filme não tem nada a ver com o que eu preciso escrever, mas, só de ter passado pouco mais de uma hora dentro daquele universo, já é o suficiente.
    Outra coisa que é incrivelmente estimulante para a minha escrita são aulas. Quando eu sou obrigada a ficar sentada em uma cadeira ouvindo uma matéria que provavelmente não me interessa tanto quanto escrever, tudo que consigo fazer é pensar na minha história, nos meus personagens. De novo, é um momento em que eu sou obrigada a usar minha imaginação, dessa vez como fuga. Fila de banco, consultório médico, lugares em que você precisa de uma válvula de escape são perfeitos para o levarem de volta ao mundo dos seus livros. Quando estiver com um bloqueio criativo, saia do canto aonde costuma escrever. Vá na direção oposta. Vá de encontro com o mundo cinza e chato e deixe que a vontade de mudá-lo nasça outra vez em você.
    Só tem mais uma coisa no resto do mundo que me ajuda a querer voltar escrever: histórias de outras pessoas. Quando são muito boas, eu praticamente crio o desafio dentro de mim de tentar escrever no mesmo nível. Quando são terríveis, o orgulho de me sentir melhor que elas me dá vontade de começar o próximo capítulo. Mesmo que seja arrogante da minha parte, essa confiança é necessária quando você já não escreve há muito tempo. E eu aproveito-a bem.

 

    Em você mesmo:


    O próximo capítulo vai ser sobre escrita e nele vou falar de como me importo com começos. Às vezes, nem tanto. Mas, na grande maioria dos meus capítulos, fica evidente que o começo é a parte onde a inspiração mais apareceu para mim. Isso, porque eu tenho todo um processo quando vou escrever que inclui, de vez em quando, passar horas na frente do computador, só ouvindo música e fazendo coisas que me deixam pensar.
    Nessa hora, eu realmente preciso de muita inspiração. Releio minhas informações sobre o personagem, os últimos capítulos dele, o que planejo pro futuro e tento imaginar como ele está se sentindo. Muitas vezes, não preciso fazer mais nada. Mas também tem os momentos em que eu preciso ir um pouco mais fundo.
    E é quando eu penso no que o personagem tem a ver comigo. Também acho válido lembrar de um momento em que me senti como ele, uma dica que vários escritores dão. Mas eu peso mais personalidade do que sentimentos nessa hora. Quais gostos nós temos em comum? Quais memórias? Quais atitudes? Quais teorias, principalmente? Quais observações nós dois já fizemos do mundo que poderiam ser usadas no começo? Às vezes, um único momento de inspiração pura pode deslanchar um capítulo todo.
    Nas horas de maior desespero, me coloco a sonhar acordada com a cena. Até admito já ter encenado algumas partes no meu quarto para conseguir pensar em como gostaria de descrevê-las. Vale tudo, mas, acredite em mim, pensar na história e nos personagens durante seu dia-a-dia, os trazendo para mais perto de você e os deixando preencher sua mente no tédio e na animação é o melhor jeito de se apaixonar de novo pelo seu universo.

 

    Nas suas histórias:

 

    É aqui que realmente mora a inspiração mágica para mim. E também o perigo.
    Quando eu falo para buscar inspiração nas suas próprias histórias, muito cuidado! Não estou falando de outras histórias e sim da que você precisa continuar! Ler capítulos de outros livros que você mesmo escreveu podem lhe dar ainda mais vontade de desistir daquele que não está conseguindo escrever. Então atenção! Resista à tentação de buscar respostas em outras histórias antes que seja tarde demais.
    Busque na que está esperando um capítulo novo e você vai ver a verdadeira inspiração. Pode ser que não funcione com mais ninguém no mundo, mas para mim é quase mágica mesmo. Sempre que não sei como continuar, principalmente em questão de acontecimentos, tudo que eu preciso fazer é reler o primeiro capítulo da história. O primeiro, aquele que aconteceu dias, semanas, meses atrás em relação ao enredo. Aquele em que os personagens ainda não tinham ideia do que estava por vir pela frente. A base de tudo. Toda vez que eu preciso de respostas sobre o clímax e sua resolução, é só ler o primeiro capítulo que eles vêm naturalmente. É realmente lindo.

 

    Em uma máquina de escrever:


    A última dica que eu posso dar é infelizmente exclusiva àqueles que possuem uma máquina de escrever como eu. Preparar um papel e encarar os tipos na minha frente costuma me ajudar a ter inspiração. Talvez seja pelo tipo de escrita. É tão definitiva que eu só escrevo o que realmente quero escrever. E isso força de algum jeito as boas ideias a virem.

 

 

    Conclusão:    


    O fato é que você precisa tentar escrever até quando não tem inspiração. E precisa aproveitar quando ela vem até na fila do pão. Escreva no celular, no forro da bolsa, na mão, aonde for. Escreva no canto da prova como eu sempre fiz (só para depois ter o professor recolher e ler). Escreva aonde der, mas aproveite quando a inspiração vier sozinha.
    Mas não a espere. Não a use como condição. Poemas talvez sejam escritos assim, somente no calor do momento. Mas prosa nenhuma é feita do começo ao fim por pura mágica. A não ser que você esteja disposto a demorar anos e ter uma história levemente desconectada (sim, muito tempo longe lhe faz perder vista de muitos detalhes e, principalmente, do ritmo da sua narração).
    Pense na sua história. Não só no que está por vir, mas no que ela é no momento em que você parou de escrever. Imagine os lugares por onde seus personagens passam, como eles se comportariam na sua frente. Saia de casa, vá fazer as tarefas entediantes e obrigatórias, ou crie caminhos diferentes na vizinhança para ir aos mesmos lugares de sempre. Veja a noite e o amanhecer, veja as estantes de livros de seus amigos e roube alguns. Leia, desenhe, passe horas na frente do computador. Não com o Facebook, nem Whatsapp. Espere a madrugada, deixe que todo mundo durma e você não tenha outra opção a não ser ficar preso aos próprios pensamentos.
    Mesmo que depois de tudo isso você ainda não consiga escrever, não desista de pensar e sentir sua história. Ela está viva, nas pontas de seus dedos, na sua mente e no coração de todas as pessoas que a estão lendo. Ela vale a pena pelo simples fato de que você a começou. É uma idealização, um sonho seu. Não deixe que morra sem final. Gaste o tempo que for, mas volte a escrevê-la.
    Na verdade, essa é uma parte bastante importante que eu não posso deixar de falar. Gaste o tempo que for. Bloqueio nunca vem sozinho. Não. Ele faz questão de trazer culpa junto. E ela vai aumentando conforme o tempo passa sem você escrever nada. E não ajuda nem um pouco. 
    Então gaste o tempo que for. Se livre da culpa, deixe que reclamem da sua demora. Não faça por obrigação, senão não vai escrever direito. E os leitores têm que entender que autores sozinhos já se pressionam. É ótimo ver que alguém está esperando o próximo capítulo, mas não precisa também ficar constantemente reclamando que não tem postagem nova. Escritores de verdade querem escrever bem mais do que seus leitores querem ler.
    Então não desista da sua história como se ela não fosse nada. Desista da pressão e da culpa, isso sim. Escreva por saber que os personagens principais ainda não acabaram com o vilão ou ficaram juntos. Mesmo que a solução esteja na sua cabeça, ela ainda não aconteceu. Ela precisa de você para existir. Dos seus dedos. Das suas palavras. E da sua inspiração, seja ela forçada ou natural. Gaste o tempo que for, mas corra atrás dela até que a última palavra do último capítulo esteja escrita. 

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Sobre a Autora

Laura Machado

Laura Vieira Machado nasceu em Minas Gerais em 1991. É formada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo. Fala cinco línguas e, quando tinha vinte anos, foi morar na Europa durante dez meses, alternando entre Alemanha, França e Espanha, aproveitando para visitar vários outros países e colecionar memórias inesquecíveis. Na Inglaterra, fez questão de conhecer a casa onde morou Jane Austen, uma de suas autoras preferidas. É mais viciada em café do que Elisa Pariseau. Assiste a muitas séries e não conseguiria viver sem música. É apaixonada por livros românticos e intensos. Escreve o que lhe dá vontade de ler.

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A Princesa Escondida

Primeiro livro da série, A Princesa Escondida foi publicado em Junho de 2017 pela Editora Novo Século, com o selo Talentos da Literatura Brasileira. 

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