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Dicas de Como Escrever uma História: A Descrição

September 17, 2016

Como praticamente qualquer coisa no mundo, escrever é bastante subjetivo. Quanto mais tempo você passar escrevendo, mais vai aprendendo a dobrar as regras do jeito que quer ou precisa, dependendo da sua história e do que você quer dela. Todas as dicas que dou aqui vem de mim, do meu próprio processo de criação, que às vezes até eu gosto de ir contra. São a base de como escrever, mas estão longe de ser obrigatórias. A dica desse capítulo, principalmente.

 

A descrição de uma história engloba praticamente todo o jeito que ela é contada, porque vai dos personagens, pelos cenários e até às ações. E isso a faz ser bastante pessoal. Se você não concordar com alguma coisa que falar aqui, não tem o menor problema! Pelo contrário! Nem você e nem eu estamos errado. É tudo questão de gosto.

 

Eu, pessoalmente, tenho opiniões bem fortes em relação à descrição. Claro, como escritora, preciso ter. Não consigo ler uma história só por ela mesma, presto bastante atenção ao jeito que é contada. E para mim, isso pode estragá-la inteira.

 

 

Personagens:

 

Uma coisa que me incomoda profundamente são descrições diretas de personagens. De novo, isso é subjetivo, tem pessoas que gostam e muito. Mas eu odeio. Quero desistir da história no momento em que leio o narrador explicando o protagonista (até quando é ele mesmo). Claro que o começo do livro precisa ser levemente uma explicação, mas tem que ser discreta. Quando vejo a protagonista falando, por exemplo, "meu nome é Elisa, tenho dezessete anos e sou a terceira na linha do trono de Parforce," fecho o livro e respiro fundo várias vezes antes de continuar. Se eu continuar. Pior, só se incluir a aparência física dela. "Tenho cabelos ruivos tingidos, olhos castanhos e 1,72 m de altura."

Sim, eu entendo o autor querer explicar como o personagem é, mas existem vários outros jeitos melhores para isso. Por exemplo, com a Elisa, fiz uma menina qualquer na escola comentar que seu cabelo ruivo era lindo. E pronto, continuei pela história sem focar naquilo, sem ter que fazer uma lista enorme de suas características.

 

No máximo, quando vou indicar alguém por algum aspecto físico, eu uso um só. Por exemplo, Portia entrou na sala acompanhada de uma menina loira. E pronto. Não há a menor necessidade de falar que ela tinha olhos verdes, usava uma saia curta, bolsa enorme e sapatos pontudos. Quanto mais características você listar para cada personagem, menos o leitor vai prestar atenção.

Vou repetir, só para ter certeza de que está claro: isso depende muito do estilo da sua história. Existem vários livros ótimos de autores que são ou eram obcecados por descrição. Tudo que eu falar aqui é só minha própria opinião.

 

- Roupas

 

É ainda mais importante prestar atenção à descrição das roupas dos personagens. Eu nunca descrevo o que a pessoa está vestindo, a não ser que, a) seu traje cause algum estranhamento; ou b) entre no meio de alguma ação. Só falarei que um cara estava usando um casaco quando ele o tirar ou enfiar as mãos no bolso. Os saltos só serão mencionados quando começarem a incomodar a garota, ou fizerem barulho pelo corredor. Essas coisas.

 

Uma exceção: quem lê o Diário de uma Princesa Escondida pode ter percebido que eu descrevo bastante as roupas da Elisa. Isso, porque ela gosta de verdade de Moda e se importa com essas coisas. Como é seu diário, é natural que ela dê ênfase para essas coisas. Mas se você já leu mais alguma outra história minha, vai perceber que nunca falo o que a pessoa está vestindo a não ser que tenha algum papel claro na cena.

 

- Personalidade

 

Uma parte muito importante da descrição - e da criação dos personagens - é a descrição da personalidade deles. Também desanimo completamente quando o autor acha que é suficiente simplesmente jogar as palavras na história. "Elisa era decidida, de personalidade forte e até mimada." Tá. Mas não é o bastante.

 

Isso para mim é tão preguiçoso quanto a descrição física direta, quase pior. Porque a personalidade de alguém deve estar implícita em cada linha do que eles fazem e falam e não em algumas poucas palavras explícitas. Como falei na dica dos personagens, é preciso convencer o leitor de quem seus personagens são baseado nas ações deles. Se você repetir várias vezes que alguém é forte, com a Kiera Cass fez com a Eadlyn, ainda mais em uma narração em primeira pessoa, a única impressão que fica é que essa pessoa é fraca, que precisa de auto afirmação.

 

Agora, se você gosta mesmo de falar as palavras diretamente, tenha cuidado para não fazê-las contradizer todas as atitudes do personagem.

 

Lugares:

 

Na verdade, eu uso a mesma filosofia para tudo, de personagens a lugares. Só descrevo o que entrar no meio das ações de alguém. Se os personagens não chegarem perto da lareira, o leitor provavelmente nem saberá que tem uma lareira no quarto. No máximo, eu dou uma visão geral do cômodo quando ele entrar, depois só detalho conforme ele se move lá dentro.

 

Mas esse é o meu estilo. Minhas histórias não são fantásticas, raramente precisam de alguma descrição de algo que ninguém nunca viu antes. Os quartos são normais, as roupas também. Não estou escrevendo Harry Potter, não inventei materiais, animais, plantas ou coisas assim.

 

Além disso, o meu estilo prioriza os sentimentos dos personagens, a visão deles. Eles que comandam a história, a direção que segue, aonde a atenção da narração cai a cada cena.

 

Descrição de uma cena:

 

A descrição mais difícil de todas é a da cena. Primeiro, você não quer usar sempre os mesmos verbos, os mesmos termos. Segundo, você não quer os leitores perdidos durante a cena. Mas, por último, você também não quer perder o ritmo do que está acontecendo.

 

A única cura para a falta de vocabulário é ler bastante e revisar bem a sua própria história. Eu, pessoalmente, fujo de todas as palavras que não usaria no dia a dia quando escrevo para a maioria dos personagens (salvo os reis e aqueles de cargos e idades mais avançados). Palavras complicadas buscadas em dicionários podem parecer inteligentes para você, mas soam forçadas em histórias mais simples.

 

Já em relação aos outros problemas, as soluções variam de acordo com o momento da história.

 

- Cena simples

 

Se for uma cena simples, é bem mais fácil. Preste atenção aonde as mãos e os pés estão, na distância entre os personagens, em quantas cabeças pensantes estão no mesmo cômodo (muitas falam ao mesmo tempo!) e nas reações necessárias. Leia e releia o que você escreveu, sempre tentando fechar as ações, colocar uma mão aqui, na próxima parte, precisa tirar a mão, ou mantê-la, nunca contradizê-la.

 

- Cena romântica (tensão)

 

Se a cena é romântica e você quer criar um clima, precisa prestar atenção ao que eu chamo de ações pequenas. Existem as grandes, como passos, giros, essas coisas. E existem as pequenas, como o caminho de um olhar, uma respiração levemente acelerada, só a sombra de um toque. Quando a cena precisa ter a tensão de um romance, a narração precisa ficar bem mais detalhada, precisa focar nas pequenas mudanças. Nesse tipo de cena, você não deve se preocupar com o ritmo, porque quanto mais tempo se prolongar, melhor (também não precisa fazer um negócio infinito). Quando existe tensão entre dois personagens, segundos podem parecer horas e isso é bom! Isso só faz o leitor ficar ainda mais ansioso!

 

- Cena de ação (dinâmica)

 

Mas quando você vai escrever uma cena de ação, o contrário é que importa. Com adrenalina e sem cabeça para pensar em nada, o personagem não percebe o tempo passando rápido em volta dele. Quando você precisa descrever algum momento de ação, precisa se preocupar constantemente com o ritmo.

 

Mas uma coisa que vários escritores se esquecem nesse momento é de explicar exatamente o que está acontecendo. Até entendo que o autor queira que essa cena passe incrivelmente rápido e que os leitores praticamente pulem as linhas pra chegar ao final. Mas não pode estar faltando informação. As ações também precisam ser fechadas e completas, senão o leitor se perde e toda a mágica da cena desaparece pelos buracos que ficaram.

 

Se a sua preocupação é o ritmo, não pense muito. Escreva frases pequenas. Minúsculas. Uma informação só. Não precisa de mais nada. Não precisa pular ações, só mencioná-las uma única vez. E, se no final você não tiver certeza se está fazendo sentido, faça o que eu faço: encene-as.

 

Sim. Pegue sua história na mão, levante-se da cadeira e vá pra sala. E então tente encenar tudo, assuma um personagem e imagine o outro (ou peça a um amigo para ajudar). Se uma ponta ficar solta, volte e escreva sobre ela, feche-a, seguindo a mesma linha de descrição de antes. Frases rápidas e sem repetição, mas com todas as informações necessárias para o leitor entender tudo o que aconteceu e não sentir um buraco na cena.

 

- Diferentes emoções

 

O fato é que emoções diferentes pedem narrativas diferentes. Se você está escrevendo uma história de ação, mas a cena é de tensão, de ansiedade, de espera angustiante, é melhor escrever como falei na cena romântica, porque a tensão faz tudo ficar mais sensível ao toque e aos olhos. Tipo parece se agravar e inchar, cada batida do seu coração parece conseguir tremer tudo à sua volta e você não sabe dizer se passou um segundo ou milhares.

 

Se a cena é de felicidade plena, seu personagem não terá muita atenção para os pequenos detalhes, verá tudo de um modo mais romantizado, perceberá menos os defeitos e a leitura ficará mais leve. Se for de tristeza, preste atenção ao toque, às palmas de suas mãos, ao clima, a cada centímetro do corpo do protagonista, que ficará estranhamente ciente de tudo que sentir. Se for de confusão, praticamente toda a cena se resume ao que está acontecendo dentro da cabeça dele, fazendo-o perder a noção do que está à sua volta. Claro, tudo dependendo da intensidade dos sentimentos em cada momento.

 

Conclusão

 

No final das contas, a descrição e a história são suas e você pode levá-las como quiser. Se minhas dicas e preferências tiverem ajudado, ótimo. E se você tiver chegado até o final e tiver discordado de tudo, ótimo também. Significa que você tem a sua opinião e seu jeito de escrever e que eles não são por acaso.

 

A escolha é sempre sua. Descubra como funciona para você e escreva a história como quiser. Só não faça de qualquer jeito, sem saber e ter um porquê de como você narra.

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Sobre a Autora

Laura Machado

Laura Vieira Machado nasceu em Minas Gerais em 1991. É formada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo. Fala cinco línguas e, quando tinha vinte anos, foi morar na Europa durante dez meses, alternando entre Alemanha, França e Espanha, aproveitando para visitar vários outros países e colecionar memórias inesquecíveis. Na Inglaterra, fez questão de conhecer a casa onde morou Jane Austen, uma de suas autoras preferidas. É mais viciada em café do que Elisa Pariseau. Assiste a muitas séries e não conseguiria viver sem música. É apaixonada por livros românticos e intensos. Escreve o que lhe dá vontade de ler.

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A Princesa Escondida

Primeiro livro da série, A Princesa Escondida foi publicado em Junho de 2017 pela Editora Novo Século, com o selo Talentos da Literatura Brasileira. 

Sobre o Livro

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