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Dicas de Como Escrever uma História: Os Personagens

September 21, 2016

De todas as partes incríveis de escrever uma história, a minha grande favorita são os personagens! Eles são basicamente a base da história, por quem os leitores se apaixonam, aqueles que tem o poder de fazer quem está lendo se sentir na pele deles.

 

Isso é, se forem bem criados. O que, na verdade, é bem mais fácil do que parece. Você só precisa entender algumas coisas.

 

 

 

Protagonista:

 

Primeiro, seu protagonista é a parte principal da sua história. O que acontecer nela, acontece com ele. Ou eles, dependendo do que você quer. Leve isso em conta. A ideia do seu livro estará constantemente presa ao personagem principal e muitas vezes você só consegue pensar no que quer que aconteça se já tiver o personagem.

 

Por isso que é tão importante definir a personalidade dele. Se o Harry Potter tivesse a personalidade do Draco Malfoy, nenhum dos livros teria acontecido daquele jeito. Fato. Porque as atitudes do seu personagem influenciam o caminho que a história vai levar.

 

Desenvolvimento:

 

A segunda coisa que você precisa entender é que o personagem tem que se desenvolver durante o livro. Você provavelmente vai contar algo grande que aconteceu com ele. Se ele acabar do mesmo jeito que começou, tudo pelo que ele tiver passado perde o propósito. Como, por exemplo, muitas pessoas que leram A Seleção [spoiler alert] queriam que a America terminasse com o Aspen. Mas se depois de passar por tudo que ela passou, depois de conhecer outro mundo e outras pessoas que ela nunca teria conhecido na vida anterior, ela continuasse com a mesma cabeça, toda a história dela seria completamente dispensável.

 

Realismo:

 

A última coisa (e a mais importante) que você precisa entender é que o seu protagonista é como uma pessoa de verdade. Sim, dá para colocarmos 'rótulos' em cada um dos nossos amigos. Aquela que sempre faz piada, aquela que ama moda e maquiagem, a moleca, essas coisas. Mas a que faz piada também tem um lado sério. A que ama moda e maquiagem às vezes gosta de ficar desleixada. A moleca também pode gostar de coisas femininas. Claro que existem várias características principais nos seus personagens, mas você precisa entender que eles não podem ser só aquilo. Eles são pessoas de verdade, um leque enorme de características diferentes e às vezes até um pouco contraditórias. Não é só porque seu personagem é apaixonado por rock que ele não pode gostar de nenhuma música que não seja nesse estilo. Pelo contrário, as exceções dos seus gostos e características o fazem ser mais real, mais palpável.

 

Dito isso, você precisa ser coerente sempre. Se você diz que um personagem é alguma coisa, precisa provar na maior parte do tempo. Exceções são essenciais, mas são exceções, não regras.

 

Quando vou criar um personagem, gosto de fazer mais ou menos uma ficha dele. Protagonista ou não, eu escrevo as principais características de cada um e suas exceções. Também aproveito para fazer a árvore genealógica deles, mesmo que não tenha plano algum de colocar seus pais na história (isso porque, caso acabe mencionando um deles durante o livro, terei certeza de que não estou colocando mais do que um nome para a mesma pessoa). Para o principal, a lista sempre acaba sendo maior. E, uma vez que eu tenho mais ou menos o tipo de pessoa que ele é e o que vai acontecer no final, eu volto acrescentando alguns defeitos para ele.

 

Por exemplo, a Elisa. Não vou falar como vai terminar a história, mas durante os três livros, eu quero que ela vire bastante generosa, madura e independente emocionalmente. Então, no começo, eu a fiz mimada, egoísta e até ciumenta. A ideia é ter os acontecimentos a mudando devagar, sutilmente, não de uma hora para a outra! Mas que seja como um caminho para ela virar quem ela tem que ser (segundo meus planos).

 

Mostre, não diga:*

 

Ah, e aqui vai uma dica extra que a Kiera Cass deveria loucamente ler: quando você vai 'explicar' seu personagem, quando você vai descrever sua personalidade, você precisa mostrar. E não dizer.

 

Repita isso mil vezes. Mostre, não diga. Mostre, não diga. Não diga que alguém tem bom coração, mostre uma cena, mesmo que pequena, aonde o personagem faz algo generoso. Não diga que alguém é arrogante, mostre um momento em que ele foi arrogante. E outro. E outro. E assim você constrói o personagem. Se você só disser que alguém é alguma coisa e não deixar indícios daquilo, fica impossível de acreditar. Afinal, falar é fácil. Nós precisamos de provas. Se você nunca falar que alguém é alguma coisa, mas sempre demonstrar sua personalidade em ações, fica ainda mais firme em nossa mente quem ele é do que só ficar repetindo a palavra.

 

As exceções das suas características, por outro lado, são importantes e não são o tipo de coisa que ele faria ou falaria sem pensar. Já o resto tem que ser natural dele. Se ele ficar repetindo várias vezes que é forte, a impressão que vai dar é a do contrário, de que ele é inseguro. Por isso você precisa mostrar, não dizer.

 

Um jeito de fazer isso é explicar o personagem pelos olhos de outros. Não com falas. Não, "Você é tão forte, Elisa." Mas com alguma atitude deles, o jeito que eles tratam seu protagonista ou até mesmo pensamentos (se sua história permitir) não diretos.

 

História do personagem:

 

Outra coisa que te ajuda muito a convencer seus leitores de que seu personagem é uma pessoa que pensa e toma decisões sozinho é explicar porque ele é do jeito que é. Nós temos várias características que são nossas sem muita explicação do porquê. Nem toda a nossa personalidade é moldada portraumas ou coisa desse tipo. Mas é diferente ver um personagem resguardado e poder ler o que o fez se resguardar. A explicação, a base, a história de sua personalidade só deixa tudo mais crível.

 

Por exemplo, você pode acreditar que a minha personagem, Elisa, é ciumenta só por ser ciumenta, que ela gosta que as pessoas pensem nela porque sim. Mas se eu conseguir explicar (não com palavras diretas, mas ações e pensamentos indiretos) que é porque ela sempre foi escondida, sempre teve que ver seus irmãos ao lado dos pais e se sentia esquecida, ela fica muito mais real. Seu defeito vem de uma fraqueza, ele se transforma em um mecanismo de defesa. E ela fica real.

Como eu disse, nem todas as características precisam ser explicadas e terem uma origem. Mas quanto mais elas tiverem, mais fácil será de se identificar com seu protagonista.

 

Se identificar com um personagem:

 

Uma coisa que as pessoas muitas vezes pensam errado é que, se o personagem não for inseguro e humilde, ninguém vai conseguir se identificar com ele e não vão gostar dele. Mas não é exatamente verdade. Se os leitores não o entenderem, se eles não conseguirem sentir em nível algum que o personagem é real, eles não vão conseguir se identificar mesmo. Mas é só isso que você precisa fazer, deixá-lo possível.

 

Dê várias dimensões ao seu protagonista, dê defeitos, qualidades, habilidades e falta de habilidades. Dê sonhos, desejos, arrependimentos, uma história. Ele precisa vir de algum lugar, ter passado por alguma coisa que o fez quem é. Precisa querer chegar a algum lugar, ou ter sua falta de ambição como característica. Não precisa ser um completo idiota, tímido e humilde, mas definitivamente não pode ser perfeito. Não faça com que ele seja impossível. Não faça-o falar mil línguas com dezessete anos de idade. Ou tocar milhares de instrumentos com quinze. A não ser que ele tenha poderes incríveis, ele é uma pessoa como você. E mesmo que ele consiga teletransportar e transformar pedra em ouro, ele continua sendo limitado. Se você mostrar quais são esses limites, ele fica bem mais realista.

 

Limites entre personagens:

 

E esses limites não podem acabar nele. Ultimamente, muitos livros de YA têm protagonistas aparentemente imperfeitas, mas que fazem todos os homens à sua volta se apaixonarem! Isso é impossível! E mais do que isso, é extremamente chato! Por mais que a personagem tenha os mesmos defeitos que a leitora e que ela seja muito parecida, quando todos os homens que cruzarem seu caminho caírem de amores por ela, deixa de ser possível se identificar com ela. Esse tipo de coisa simplesmente não acontece. E, para deixar bem claro, o que deveria estar aparecendo nos livros são personagens que não são amadas por todos e que entendem, afinal, que não tem o menor problema nisso! Não, nem todo mundo precisa te amar. Pelo contrário, deveria ser algo mais raro, mais exclusivo. Esse absurdo romântico consegue deixar qualquer história banal.

 

Tem que existir um limite no alcance do seu protagonista em relação aos outros personagens. E não é só em questão romântica. Por que todos que ele conhece precisam admirá-lo (salvo pelo seu arqui-inimigo)? Por que ele precisa parecer tão forte e incrível para todos? Aliás, por que todos os personagens estão pensando em seu protagonista?

 

Essa é outra coisa na qual muitos escritores se perdem. Para quem está criando a história, ainda mais em primeira pessoa, o universo gira em torno do protagonista. Mas, acredite, o universo de nenhuma história gira em torno de uma pessoa só. Nem todos os personagens do seu livro precisam passar o tempo todo pensando no seu protagonista. Eles não precisam percebê-lo, considerá-lo, nem saber que existe. Limites. Seu personagem precisa ter limites em relação aos outros. Ele definitivamente não é o centro de tudo.

 

Arqui-inimigo:

 

Vou falar bem rápido sobre o arqui-inimigo, só porque eu acredito que tudo que já falei vale para ele também.

Não sei tanto na vida real, mas em histórias as pessoas precisam de alguém para odiar. Isso é fato. Você torce para alguém e contra alguém. E acho isso até natural, na verdade. Mas você precisa se lembrar que o inimigo do seu protagonista também é uma pessoa. Ele também tem limites, exceções e um desenvolvimento durante a história. Ninguém é completamente bom ou completamente mau. Ainda acho que você pode, sim, fazer ele ter uma tendência forte para o mal. Algumas pessoas têm mal caráter, fato. Só que é praticamente impossível que elas não tenham pelo menos algum tipo de insegurança, algum momento em que elas são boas, mesmo que só para pouquíssimas pessoas. Não existe nada mais chato do que inimigos do protagonista que são sempre maus e estão sempre errados. Se o personagem principal não pode ser feito só de qualidades, o inimigo também não pode ser feito só de defeitos.

 

Conclusão:

 

Depois de falar tanto, parece que é praticamente impossível criar um personagem direito. Mas não é. Você só precisa lembrar de deixá-lo verdadeiro. Ele pode ser o que você quiser, contanto que tenha qualidades, defeitos, exceções para suas características e gostos e limite em relação às outras pessoas e a si mesmo. E marcar tudo isso dele no começo e como ele vai terminar e porque (baseado nos acontecimentos da história). Se você se certificar de pensar em tudo isso, mesmo aqueles que parecem clichês à primeira vista acabarão verdadeiros.

 

Dica extra: Muito cuidado para não fazer seus personagens serem todos parecidos. O jeito que um fala é diferente do jeito do outro. Suas qualidades e defeitos podem ser similares, mas não idênticas. O contraste entre eles é essencial para uma boa história.

 

 

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Sobre a Autora

Laura Machado

Laura Vieira Machado nasceu em Minas Gerais em 1991. É formada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo. Fala cinco línguas e, quando tinha vinte anos, foi morar na Europa durante dez meses, alternando entre Alemanha, França e Espanha, aproveitando para visitar vários outros países e colecionar memórias inesquecíveis. Na Inglaterra, fez questão de conhecer a casa onde morou Jane Austen, uma de suas autoras preferidas. É mais viciada em café do que Elisa Pariseau. Assiste a muitas séries e não conseguiria viver sem música. É apaixonada por livros românticos e intensos. Escreve o que lhe dá vontade de ler.

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A Princesa Escondida

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