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RESENHA: Corte de Espinhos e Rosas & Corte de Névoa e Fúria (MASS, Sarah J.)

June 10, 2017

Sinopse de Corte de Espinhos e Rosas:

Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação.

 

Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira que ela só conhecia através de lendas , a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mundo das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la... Ou Tamlin e seu povo estarão condenados.

 

Minha opinião sobre o primeiro livro, Corte de Espinhos e Rosas:

 

Acho que esse livro deveria levar aquela frase que já vi várias vezes em sinopses do Wattpad (e que já quis escrever em livros meus também): é meio parado no começo, mas continua lendo que fica melhor no final!

Eu sou meio obsessiva para ler, sempre acabo livros em uns três dias normalmente e não foi diferente com esse. Então raramente reclamo de livro parado. Mas esse, que teve sim acontecimentos desde o começo, chamou bastante minha atenção. Na verdade, nem sei se 'parado' é um bom adjetivo. O livro na sua maioria (ou seja, até a página 270 de 416) não tem o menor rumo! Tem acontecimentos, é legalzinho, mas simplesmente não tem um objetivo, sabe? Não tem uma direção, e você fica meio se perguntando por que exatamente você está lendo, para onde está indo, onde todo o enredo quer chegar. 

Mas aí você chega lá pela página 270 e, de repente, o livro ganha TODO o propósito que faltava. Dá para ver que era pelas últimas (aprox.) 150 páginas que esse livro foi escrito. É por elas que ele existe. Tudo que foi vago para trás tem uma razão, mas isso não deveria acontecer, não a ponto de incomodar e deixar o leitor sentindo que o livro é inútil durante tantas páginas.

Tudo que faltou antes, - explicações, sentido, direção, propósito, - aparece de uma só vez! E sim, essas últimas páginas foram incríveis, valeram o livro inteiro (antes eu teria dado no máximo 3 estrelas), mas ainda não consigo achar o livro perfeito, porque a maior parte dele ainda foi perdida e vaga, completamente superficial.

 

 

Mas, repito, as últimas páginas são incríveis, o que me fez tirar só uma estrela (ou melhor, dragãozinho) da nota, fazendo valer a pena ler o livro inteiro. Não sei por que a autora não escreveu o livro nesse nível desde o começo, mas pelo menos tenho esperanças (= expectativas) de que o segundo mantenha tudo que o final do primeiro teve de bom!

 

 

Minha opinião sobre Corte de Névoa e Fúria:

 

[Sem spoilers até para o primeiro livro!]

Vou começar lembrando que esta daqui é somente a minha opinião. Só porque eu não gostei de um livro, não significa que acho todos que gostaram idiotas. Se você se ofende por besteira assim, nem leia! 

Aparentemente, a série Corte de Espinhos e Rosas é idolatrada entre absolutamente todo mundo que tem algum Instagram de livros (junto com funkos e velas, vai entender por quê). Então, depois de ver fotos dos livros em vários lugares, resolvi ler.
É até estranho eu dar uma nota mais baixa para esse do que dei para o primeiro, quando a grande maioria dele é bem melhor que Corte de Espinhos e Rosas. Mas, infelizmente, o que tem de errado em Corte de Névoa e Fúria tem de errado MESMO. Acredito até que a razão de eu ficar bem mais incomodada com esse livro do que a maioria das pessoas (até das que não gostaram muito) é que eu sou apegada a personagens. Sim, eu valorizo mais personagens do que enredo e cobro de autores que eles sejam interessantes e coerentes. E, pelo que eu pude ver até agora dessa série, Sarah J. Maas definitivamente não sabe criar personagens assim.

A começar pela protagonista. Que menina chata e imatura, meu deus do céu!
Eu quase nunca reclamo dessas coisas, porque sei que, como nem todo mundo é maduro, nem todo personagem precisa ser. Mas a Feyre era bem mais madura no primeiro livro, evoluiu até chegar ao final dele, só para regredir mil vezes no começo desse! Feyre não tem uma personalidade fixa, ela muda à toa, não consigo nunca sentir que conheço ela minimamente, não sinto a menor firmeza em relação a quem ela é. Durante o primeiro livro, eu já tinha sentido isso, sentido que, durante certas páginas do livro, ela era diferente de outras. Nunca consegui imaginar ela bem exatamente por essa razão. Aí chega nesse e ela é insuportável de chata, reclama de tudo o tempo todo!
Ela odeia tudo! Tudo. Parece uma criança birrenta, para quem nada está bom. Okay, entendo e acho super válido ela se sentir sufocada, mas adianta sair pelo mundo e odiar tudo sem nem pensar duas vezes? Gente, que garota insuportável, sério! Não sei como continuei lendo.
Tá, tudo bem. Ela estava praticamente presa em um lugar, sem nenhuma escolha, e aí teve que ir para outro do qual ela não poderia sair também. Muita gente vai dizer que isso é razão para reclamar. Mas, na verdade, não é. Porque ela se sentia presa em casa. E quem fez o acordo para ela ir para o outro lugar (me esforçando para não dar spoiler) foi ela mesma. Reclamar depois de uma decisão cuja responsabilidade ela deveria assumir é coisa de adolescente, de criança. Nós adultos temos que ir todos os dias para o trabalho, fazer algo que muitas vezes não nos agrada, porque assumimos também um acordo (chamado salário). Reclamar como ela é completa falta de maturidade.
E, como eu disse, normalmente não me importo muito se o personagem for imaturo. Contanto que ele não seja incoerente.
Porque o pior de tudo é que, mesmo que a Feyre não tivesse amadurecido durante o primeiro livro, ela já começa ele sendo a responsável pela sua família não morrer de fome. Quando ela tinha quatorze anos, percebeu que seu pai não se esforçaria para alimentar as filhas e se forçou a aprender a caçar por isso. Não faz o menor sentido essa mesma pessoa - odiando caçar ou não - agir como uma garota mimada depois!

Uma das coisas que mais me incomodam também é a relação dela com um certo High Lord. Primeiro, porque desde o começo ela xinga ele por tudo. A implicância e o ódio dela por ele são completamente forçados, falsos e desnecessários. Tudo para criar uma tensão que poderia existir naturalmente. Não me convenceu em momento nenhum, desde o começo. E, mesmo quando ele já lhe mostrou vários, vários atos de bondade ou pelo menos de simpatia, ela continua odiando ele por pura birra! Parece que a autora só sabe criar romance com ódio e exagerou loucamente nesse livro. Nem precisava de tudo isso.
Outra coisa que eu simplesmente odiei no romance deles foi a quantidade de provocação com conotação sexual. Os personagens não são os únicos elementos da história que eu achei extremamente infantis, então, quando alguém falava qualquer coisa que tivesse a ver com sexo, eu me sentia muito deslocada na história! Só tinha conseguido imaginar a Feyre até então super nova e somente nas cenas em que eles falavam sobre sexo que eu era forçada a tentar imaginar ela mais adulta. E falhava miseravelmente.
Aliás, para que tudo isso? Para que tantos detalhes em todas as cenas? Para que todas essas cenas? Para que tanta coisa vulgar e deslocada? Até mesmo quando o tal High Lord (olha só como eu me esforço para não dar spoiler) está abalado, a ideia da Feyre é falar de lingerie? Isso é tão infantil! Mesmo com a desculpa de só estar tentando o distrair, só dá para ver como ela é imatura aí. Às vezes, o que uma pessoa precisa é de alguém que lhes deixe sentir fraqueza quando precisam, e compreensão e segurança. Ter que sempre superar tudo e ser forte o tempo todo é exaustivo demais!
Está aí outra coisa que aconteceu trezentas vezes pela história: Feyre estragando momento. Me deu muito a impressão de que, se não for para ser romântico, duas pessoas não podem ter uma conversa sincera e séria e se conectar. Então, assim que o High Lord tentava ser mais maduro, a Feyre precisava ir lá cortar. Comecei até a desistir de ter esperanças de cenas assim melhores depois de um tempo. Ou talvez a autora só tivesse feito isso para adiar o máximo possível qualquer carinho (ainda que não romântico) de um pelo outro.
A Feyre não é a única personagem que a autora fez mal. O tal High Lord, que todo mundo idolatra, estava super bem feito até certa parte do livro (e bem melhor no primeiro, bem melhor mesmo!). Quando o romance começa mesmo a aparecer (mega tardio, já que a Feyre estava ocupada demais fazendo bico para tudo), ele se transforma! Ele, que até então era o mais maduro dali, vira até ingênuo com algumas coisas bem básicas. O plano final deles é tosco, fraco e coisa de gente que não tem a menor experiência com estratégias (mesmo que a autora faça questão de falar que eles são guerreiros - falar, não mostrar).

E o que falar do mundo? Para se encaixar com todo o resto (menos as cenas de sexo, que devem ter sido criadas só para compensar) é tudo bastante infantil. Gente, pensa bem. Corte de Sonhos? Corte de Pesadelos? Vai dizer que não parece ter saído de um livro infantil? Ou pelo menos juvenil? E os conflitos políticos da história inteira são bem rasos, que serviriam perfeitamente em um livro para pessoas mais jovens. Se ela tivesse ajeitado seu público alvo, teria feito um livro bem melhor.
Mas mesmo assim ela deixaria a desejar, porque o mundo é uma bagunça completa! Além da ruína que virou a personalidade da Feyre (que, magicamente, depois volta a ficar mais madura!), essa é a outra razão para eu ter dado mais estrelas para o primeiro livro: tem muita incoerência nesse mundo que só aparece nesse livro! Em um lugar, eles vestem leggings e vão para balada. Em outro, só tem tavernas e eles lutam com espadas (não armas). Gente do céu, parece que a autora pegou elementos de cada época, dando muito a impressão de ser mais medieval no primeiro livro e se perdendo completamente nesse. Tive que tirar pelo menos uma estrela só por isso. Foi muita falta de capricho.
Ah, e fui só eu que cansei de ficar ouvindo milhares de explicações sobre o mundo, a história dele e dos personagens o tempo inteiro? 

E mesmo que tenha sido explicado e desenvolvido um pouco melhor durante esse segundo livro, mantenho minha opinião de que ele foi um tapa na cara do primeiro, quase o invalidando e acabando com o sentido que o primeiro ganhou no final (por pouco). E agora eu percebi o maior erro da autora para o primeiro. Ela insistiu em fazer uma releitura de A Bela e a Fera. Se tivesse dado outra razão para a Feyre ir para debaixo da montanha (e não romântica) e passar por tudo que passou - como, por exemplo, sua família, - o segundo livro seria ainda mais poderoso, já que ele não iria contra nada que aconteceu antes. E, melhor, o primeiro não pareceria forçado e clichê, com um amor profundo do nada. Poderia ter só um romance, que ajudasse, mas sem ser a razão de ela se matar fazendo loucuras embaixo da montanha para salvá-lo.

 

Minha nota é só 2,5, porque, como falei, tudo que me incomodou nesse livro me incomodou muito! Bem mais do que no primeiro livro.

 

 

 

E sabe o pior de tudo isso? A ideia é boa! Se tivesse passado por um editor mais meticuloso ou se ela tivesse demorado um pouco mais para escrever, essa série poderia ser perfeita, realmente épica. As cenas de ação desse livro são ótimas, os novos personagens estavam fazendo falta antes mesmo de existirem e o final é bastante interessante (apesar de que senti um pouco de deus ex machina já que o que salvou foi algo que a gente nem chegou a ver. Além de que, de novo, se o livro fosse mais adulto, nada teria sido tão fácil). Mas não dá, a história deixou demais a desejar e foi bem nas coisas mais simples! Li o livro quase inteiro incomodada demais, revirando os olhos até ficar torta e fazendo careta para as coisas mais nojentas e desnecessárias (que a autora claramente achou que ficariam sexy). Vou precisar dar um bom tempo entre esse livro o terceiro, preciso superar e me livrar desse peso que Corte de Névoa e Fúria se tornou em cima de mim, se é que vou chegar a ler o próximo.

 

Esses dois livros já foram publicados no Brasil pela Editora Galera. O terceiro, Court of Wings and Ruin (Corte de Asas e Ruína) foi lançado em inglês em março desse ano. Já está no correio, vindo até minha casa. Não estou nem um pouco animada para ler, mas como a previsão é de chegar no meio de julho, talvez minha vontade de ler aumente no dia. Assim que eu ler, posto minha resenha! 


E, aliás, se você está procurando um livro de fantasia com um mundo bem construído e uma personagem feminina forte, vá atrás da trilogia Jovens de Elite. Lembrei da história deles e da protagonista o tempo todo nessa série aqui (que, aliás, foi lançada antes), sentindo cada vez mais falta de livros realmente bem escritos! Minha resenha deles está aqui.

 

 

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Sobre a Autora

Laura Machado

Laura Vieira Machado nasceu em Minas Gerais em 1991. É formada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo. Fala cinco línguas e, quando tinha vinte anos, foi morar na Europa durante dez meses, alternando entre Alemanha, França e Espanha, aproveitando para visitar vários outros países e colecionar memórias inesquecíveis. Na Inglaterra, fez questão de conhecer a casa onde morou Jane Austen, uma de suas autoras preferidas. É mais viciada em café do que Elisa Pariseau. Assiste a muitas séries e não conseguiria viver sem música. É apaixonada por livros românticos e intensos. Escreve o que lhe dá vontade de ler.

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A Princesa Escondida

Primeiro livro da série, A Princesa Escondida foi publicado em Junho de 2017 pela Editora Novo Século, com o selo Talentos da Literatura Brasileira. 

Sobre o Livro

Primeiro livro da série, A Princesa Escondida foi publicado em Junho de 2017 pela Editora Novo Século, com o selo Talentos da Literatura Brasileira. 

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