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RESENHA: Trilogia Reiniciados (TERRY, Teri)

November 24, 2017

SINOPSE do primeiro livro: As lembranças de Kyla foram apagadas, sua personalidade foi varrida e suas memórias estão perdidas para sempre. Ela foi reiniciada. Kyla pode ter sido uma criminosa e está ganhando uma segunda chance, só que agora ela terá que obedecer as regras. Mas ecos do passado sussurram em sua mente. Alguém está mentindo para ela, e nada é o que parece ser. Em quem Kyla poderá confiar em sua busca pela verdade?

 

Resenha do livro 1, Reiniciados:

 

A única coisa da qual eu tenho certeza sobre esse livro é a minha nota. Ainda estou tentando decidir se eu gostei ou se detestei toda a história, ainda estou tentando encaixar minhas expectativas no que eu li e entender seus problemas. Mas, desde as primeiras páginas, já sabia que eu só poderia dar nota três. Tinha lido em alguma resenha por aí que as últimas cinquenta páginas eram as melhores, mas, mesmo assim, sabia que não havia como serem tão boas a ponto de eu aumentar até uma estrela inteira. E, afinal, não foram.

 

 
Não existe nada pior do que livros que têm potencial absurdo e que deixam a desejar. E esse é exatamente assim. A ideia dele é brilhante! O mundo que a Teri Terry criou é tão tenso, que, mesmo antes da protagonista perceber, eu já estava me sentindo completamente sem saída e não posso nem começar a imaginar o que eu faria em seu lugar. E essa é a parte mais difícil de escrever uma distopia, ter uma ideia original o suficiente para ser intrigante, mas que ainda mantém o gênero a ponto de interessar fãs como eu de histórias assim! Então é realmente revoltante pensar que a autora errou em todos os aspectos mais fáceis do livro.

O que eu considero aspectos mais fáceis: criar um romance interessante, ter cenas minimamente divertidas, ter personagens secundários com diálogos e personalidades naturais, entre outras coisas. Ou seja, o livro precisa pelo menos entreter. E esse deixou bastante a desejar aí.

E dá para perceber isso desde o começo. Tenho a impressão de que a autora quis mostrar como essa lavagem cerebral (porque, vamos admitir, esse é o único nome que deveria ter) deixa os jovens meio retardados (no verdadeiro sentido da palavra), então a narração vai progressivamente sendo mais preenchida até chegar ao final. E, sim, a ideia é boa, mas a execução foi péssima e eu quis largar o livro várias vezes.

Ou seja, a narração é vazia! Super vazia, vai de uma coisa a outra do nada, todas as cenas no começo são completamente superficiais. Como eu disse, entendo a intenção da autora, mas se isso deixa o livro chato e sem profundidade, talvez fosse melhor deixar essa transição mais sutil (muito mais sutil, aliás). Durante uns oitenta por cento do livro, senti que tudo acontecia rápido demais, fácil demais, ao mesmo tempo que o ritmo estava extremamente maçante. E esse tipo de coisa faz ser impossível eu me conectar com a protagonista e seus problemas. Honestamente, até depois da metade, eu não estava nem um pouco me importando com o que acontecesse com ela. E olha que ela nem é do tipo de protagonista insuportável.

 
Se fosse só problema do livro ser superficial, seria bom. Mas, como falei, as coisas acontecem fácil demais! Ela tem sensações que aparecem do nada e puxam ela para a conclusão certa, sabe? Vou até usar uma cena de exemplo, que acontece logo no começo e definitivamente não muda nada (o que me dá ainda mais raiva, porque a autora poderia muito bem ter colocado essa cena mais para a frente e deixar parecendo menos intervenção divina).

A cena foi mais ou menos assim: a protagonista está no carro com a irmã e o namorado e ela simplesmente resolve querer dirigir. Ou seja, ela nem nota ele dirigindo, questiona e quer tentar devagar. Não, ela do nada fala que quer e umas três linhas depois, está dirigindo perfeitamente bem, diz que é estranho, mas é só! É incrível como ela tem esse impulso do nada, consegue fazer tudo que tenta e nem se importa muito (tanto que isso nem voltou a aparecer no livro). Outras habilidades dela vêm do nada, mas nem o processo de tentar é crível. Parece que está faltando frases e frases no meio das cenas. Isso, para mim, é preguiça na escrita e me desanima muito.

A protagonista é daquele tipo típico de distopias, em que ela é A especial, mas pelo menos a razão disso fica mais clara no final. E, sim, as últimas cinquenta páginas são as melhores, mas ainda deixam muito a desejar, principalmente porque parece só uma super preparação para o segundo livro. E eu entendo primeiros livros serem só a base, mas depois de passar umas trezentas páginas em uma história que não saía do lugar, eu precisava de mais animação, mais decisões arriscadas, mais consequências reais. E ficou tudo meio morno.

O interessante é que eu comprei essa trilogia junto com a duologia Disruption e a duologia foi tudo que eu esperava que esse livro fosse. A protagonista lá era forte e badass como eu queria que essa fosse, ela tinha atitude, toda a atitude que a Kyla não tem. E aquela foi uma distopia de ação e romance mais intensa do que essa chegou perto de ser. Aliás, o romance desse livro é bem qualquer coisa, a ponto de eu desejar que a Kyla encontre qualquer - qualquer - outro carinha no próximo para se apaixonar, porque seria bem mais interessante. 

Mas meu único problema mesmo com a própria Kyla é que ela não percebe umas coisas bem óbvias, mas fica remoendo outras. Todas as informações parecem ser descobertas por várias pessoas sem explicação, mas ela perde algumas bastante simples e descaradas (o que só me faz pensar que a autora está tentando esconder fatos bem importantes - sobre em quem confiar e de quem desconfiar). Não colou.

 

 
A parte boa é que ele é fácil de ler, não é pesado. Eu até aconselharia que lessem até a metade na primeira sentada, para já estarem dentro da história antes de parar (porque é bem fácil largar antes disso, acredite). E a melhor parte é que o final do livro parece indicar que a Kyla vai estar diferente no próximo, mais determinada (ainda que talvez pela coisa errada). Mas isso me dá um pouco de medo, porque sinto que quero criar as mesmas expectativas que tive para esse livro para o segundo, e que posso me decepcionar de novo se ele for morno, parado e sem qualquer acontecimento mais determinante. Quero decisões irreversíveis, que mudem tudo, que arrisquem alguma coisa. Definitivamente quero ver o mundo distópico dela se ampliar e parecer mais complexo do que o simples controle tenso que segue ela pela vida normal (casa, escola etc).

 

Resenha de Fragmentada:

 

Estava lendo minha resenha do primeiro livro e percebi que quase não falei das coisas que gostei nele. E aí lembrei que é porque não gostei de nada, realmente, e sei que isso parece bem cruel da minha parte, principalmente porque tiveram várias coisas que não me incomodaram de verdade. O problema é que em nenhum momento eu criei uma conexão com elementos da história, me importei com eles etc. Sabe aquele apelo que até livros nem tão bons têm de vez em quando, que te fazem se apaixonar por eles e nem se importar se eles são mesmo "bem escritos" ou "bem desenvolvidos"? Até eu sinto isso às vezes, até eu me apaixono por livros que eu sei que são mais toscos, mas que têm apelo, que têm um atrativo. E isso faltou demais para mim nesses livros.

 

 

Esse segundo é bem melhor que o primeiro, tem muito mais revelações, muitas cenas mais críticas e momentos decisivos. Mas eu ainda sinto que ele deixa a desejar, que promete muito mais do que entrega. Parece que ele fica quase o tempo todo no mundo das ideias e quase nada vira algo concreto. E, quando vira, sempre dá a impressão de que é tarde demais e que já não importa. É bem estranho, sério, como tudo parece decisivo e impassível (eu ainda não sei o que faria em nenhum momento), mas no final as consequências são sempre meio leves ou quase inexistentes. Tem suas explicações, mas mesmo assim.

Não quero que nenhum possível leitor pense que esse livro é ruim, não é isso. Ele é muito bom, na verdade. Minha nota verdadeira é 3,5, mas ele compensa várias falhas do primeiro. Por exemplo, suas cenas são mais completas, nenhuma é vazia como no outro livro. A protagonista, Kyla, questiona quase tudo nesse, o que é bom. Mas o livro ainda tem seus defeitos.

Por exemplo, ela questiona QUASE tudo. E o que ela não questiona é gritante para alguém que estava pensando desde o primeiro livro em não confiar em ninguém e para alguém que passa pelo que ela passa nesse. Aliás, desde o começo da trilogia, eu estava esperando uma super virada, uma super emboscada, uma traição terrível. E, mesmo quando "teve" (aspas, porque, né, depende muito da sua concepção), o potencial da ideia ainda não foi aproveitado. Existe muita complexidade nas questões interpessoais, mas pouquíssimas nas de enredo.

Outro problema que eu vejo com a história é imaginar como ela vai se desenvolver no próximo livro. Isso é uma coisa que acontece demais com trilogias distópicas, o autor vai desenvolvendo a história como quer e acaba percebendo que não dá tempo de acabar de um jeito completo. Normalmente, eles fazem uma de duas coisas: ou acabam incompleto, com poucos detalhes e longe de resolver a distopia (trilogia Delírio - que eu amo) ou correm com os últimos acontecimentos (Jogos Vorazes, que também amo). Eu sou bem mais a favor de escreverem um quarto livro ou fazerem o terceiro ser enorme (como na trilogia Feita de Fumaça e Osso, que é simplesmente maravilhosa, mas não é distopia).

Esse segundo livro, apesar de ter sido bem melhor, não desenvolveu o suficiente para o último ter a sensação de finalização. Na verdade, estou me sentindo mais ou menos no mesmo lugar em que comecei na trilogia. Acho que a história desse deveria estar no primeiro, que o primeiro deveria ter sido resumido e acrescentado essa parte de algum jeito. Não consigo imaginar como a autora vai conseguir subir o nível para o último - ou ao menos fazer toda a leitura até lá valer a pena.

Mas talvez a culpa seja minha. Eu já li algumas trilogias distópicas que se desenvolveram muito melhor e posso estar comparando demais. Principalmente com a duologia Disruption, que já deveria ter sido lançada aqui no Brasil, porque é muito boa e é tudo que eu queria que essa trilogia fosse (até falei dela na resenha do primeiro). 

Como esse livro está longe de ser perfeito, eu não poderia dar nota cinco e teria dado quatro se não fosse por aquilo que falei no começo. Mesmo nas suas melhores partes, falta alguma coisa. Não é a protagonista, que é mais do que razoável. Acho que a história simplesmente não é divertida o suficiente para eu querer passar horas lendo; ou tensa o bastante para eu não conseguir largar. Apesar de ter várias questões e uma falta de saída um pouco assustadora em alguns momentos, acho que o problema todo é amplo demais para eu, como leitora, ter procurado aquela específica salvação ou uma solução clara. Não estou torcendo para que aconteça nada em específico, porque tudo fica muito em aberto. Falta uma luz guia, um propósito. 
Ou pelo menos uma leitura mais divertida.

 

 

 

Em compensação, o livro é fácil e rápido de ler e eu ainda recomendo a leitura, já que acredito completamente que sua experiência vai depender dos outros livros que você já leu, do quanto é crítico (eu sou e muito!) e, é claro, das suas expectativas.

 

Resenha de Despedaçada:

 

Faz uma semana que eu comecei a ler essa trilogia e preciso dizer que estou exausta agora no final dela. Quando eu descobri esses livros, fiquei completamente louca para ler. Sabe aquele tipo de livro que você ama tanto a ideia e não encontra muitas resenhas contra, então já ama antes de até tê-lo em mãos? Exatamente assim. Mas o primeiro ficou longe de ser tão bom quanto eu esperava, chegando bem perto de uma mega decepção. O segundo foi melhor que ele e esse último foi muito melhor que os dois outros juntos. Mas não consegui me livrar da sensação de incômodo que o primeiro me deu em nenhum momento.

Acho que tem uma lição aí. O primeiro livro de uma série/trilogia não precisa ser perfeito, mas precisa dar o tom certo, ou é fácil perder leitores e fazer os que continuam lendo ficarem incomodados. Tem alguma coisa faltando nessa trilogia. Em nenhum momento, eu estava realmente me divertindo com a leitura. Falta alguma coisa, um apelo, uma faísca que te coloca dentro da história. Mesmo com as cenas bem mais interessantes e melhores desse livro, nunca cheguei perto de criar uma conexão de verdade com a história. E isso é bem triste.

 

 

De qualquer jeito, tenho mesmo que falar que esse livro é bem melhor. Preciso elogiar as cenas de tensão que a autora colocou, porque elas foram muito tensas mesmo, a ponto de eu querer parar de ler só para parar de me sentir tão encurralada como a protagonista. Gostei do desenvolvimento também quase na sua maioria, mesmo quando algumas partes pareciam meio sem propósito (ou, pelo menos, sem propósito digno de final de trilogia). E a última coisa que eu preciso elogiar é que a protagonista é terrivelmente coerente, desde o começo, mesmo tendo tantas camadas. Se a autora queria criar uma personagem com três mil dimensões, conseguiu.

Agora, vamos falar do que não gostei, porque passei a leitura inteira um pouco desgostosa, mesmo conseguindo ver claramente todos os elementos bons da história.

Como eu disse, as cenas de tensão são boas. Meu único problema com elas é que elas acontecem demais. Ou seja, existem umas dez cenas nesse livro em que "tudo dá errado". E, sério, existe um limite antes de se tornar overkill (exagero daqueles que você chuta mil vezes quem já tá morto, parece) e deixar a solução parecendo intervenção divina. E esse foi um problema da trilogia toda. A autora criou praticamente uma conspiração com tantas ramificações, que todas pareciam banais, em vez de focar em umas três ou quatro que tivessem mais peso. É tanto, que a protagonista acaba o livro com quatro nomes. É muita informação sendo desenterrada, muito segredo, muitos personagens diversos com mais segredos e quase nenhum parece ter uma conexão firme com outro. Não é nem que eu não tenha conseguido acompanhar, só não consegui realmente me importar quando eles eram revelados. Mesma coisa no segundo livro.

No final das contas, você fica pensando que quer que tudo se revolva, mas nem tem ideia do que exatamente precisa acontecer, porque tudo fica muito em aberto. E, a última cena, a última chance de dar errado e se resolver ficou, como eu imaginei, parecendo intervenção divina. Todo mundo junto praticamente, aquelas pessoas certas que aparecem no último milésimo de segundo antes de um fim sem volta. Depois de tanta tragédia, de tanta coisa dando errado, essa dando perfeitamente certo ficou forçada. E, daí para a frente, tudo foi em corrido, só para amarrar pontas, até as que não precisavam ser amarradas.

Tem outra coisa que me incomodou e quase me fez tirar mais meia estrela (só não tirei para não ficar igual ao segundo e porque realmente acho que merece quatro). Esse livro parece um pouco correr atrás de falhas dos anteriores de um jeito bem desnecessário. Na verdade, eu nem deveria chamar de falhas, e sim de faltas. Logo no começo, aparecem tecnologias que nunca tinham aparecido antes. Parece que, do nada, a autora lembrou que a história se passa no futuro e quis introduzir algumas tecnologias em coisas públicas e ficou bem estranho. E tem outro personagem que aparece pouco, mas ganha fácil o coração dos leitores, que parece ter saído do Capitol de Panem. Sério, a história teria sido mais realista e interessante sem isso. Ir atrás de detalhes assim agora, nos quarenta minutos do segundo tempo, só deixou parecendo que era uma exigência de distopias e não colou nem um pouco.

Uma outra coisa que me incomodou, mas que é bem besta e vai fazer todo mundo pensar que eu sou crítica com as coisas mais inúteis (sou mesmo): todo mundo nesse livro se toca demais! Ou, pelo menos, toca a protagonista demais. Tem mil braços em volta dos ombros dela. Eu, brasileira, estava me sentindo desconfortável já no meio do livro. Como esses ingleses do futuro estavam de boa? Haha.

 

 

Tem outros mini problemas, como falta de personagens femininas da idade da protagonista que fossem importantes. Todo mundo nesse meio é homem, é incrível. E todo mundo é apaixonado por ela (será essa outra exigência de distopias ou só de livros jovens mesmo?). É tão difícil assim existir um único cara mais ou menos da mesma idade que não caia de amores por ela? 

No final das contas, continuo com a opinião de que a expectativa do leitor e sua experiência com outras distopias vão contribuir muito para o quanto ele pode se divertir com essa. Resolvi dar quatro estrelas para esse livro, porque ele realmente foi bem escrito e a ideia é muito boa mesmo! Mas ainda fico com a sensação de que todo esse potencial ficou um pouco bagunçado e não foi tão bem aproveitado. Fico feliz de ter lido, mas mais feliz ainda ter acabado (li esse de uma só vez), porque não sei se aguentaria mais muito tempo nesse universo. Como eu disse, estou um pouco exausta. Talvez seja bom também eu recomendar que leiam os livros com bastante tempo entre eles, porque, apesar de tudo que reclamei, preciso admitir que fiquei realmente tensa com o mundo e estou bem feliz de não me sentir mais tão sem saída!

 

 

Toda a trilogia já foi publicada no Brasil (com capas bem melhores).

 

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Sobre a Autora

Laura Machado

Laura Vieira Machado nasceu em Minas Gerais em 1991. É formada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo. Fala cinco línguas e, quando tinha vinte anos, foi morar na Europa durante dez meses, alternando entre Alemanha, França e Espanha, aproveitando para visitar vários outros países e colecionar memórias inesquecíveis. Na Inglaterra, fez questão de conhecer a casa onde morou Jane Austen, uma de suas autoras preferidas. É mais viciada em café do que Elisa Pariseau. Assiste a muitas séries e não conseguiria viver sem música. É apaixonada por livros românticos e intensos. Escreve o que lhe dá vontade de ler.

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A Princesa Escondida

Primeiro livro da série, A Princesa Escondida foi publicado em Junho de 2017 pela Editora Novo Século, com o selo Talentos da Literatura Brasileira. 

Sobre o Livro

Primeiro livro da série, A Princesa Escondida foi publicado em Junho de 2017 pela Editora Novo Século, com o selo Talentos da Literatura Brasileira. 

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