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RESENHA: Cidade de Vidro (Clare, Cassandra)

August 8, 2019

Sinopse:

Clary está à procura de uma poção para salvar a vida de sua mãe. Para isso, ela deve viajar até a Cidade de Vidro, lar ancestral dos Caçadores de Sombras, criando um portal sozinha. Só mais uma prova de que seus poderes estão mais sofisticados a cada dia. Para Clary, o perigo que isso representa é tão ou menos assustador quanto o fato de que Jace não a quer por perto. Mas nem o fora de Jace nem estar quebrando as regras irão afastá-la de seu objetivo: encontrar Ragnor Fell, o feiticeiro que pode ajudá-la a curar a mãe.

 

O QUE EU ACHEI:

 

Eu não sou a maior fã dessa série. Não gostei muito do primeiro livro e acabei lendo o segundo em seguida, o que não me ajudou a gostar dele também. Esse terceiro eu deixei para ler bem para a frente, seis meses depois, para ter certeza de que não me deixaria influenciar pelo desgosto em relação aos outros dois (mentira, era porque eu não tinha a menor vontade de continuar a série, mas realmente acho que isso ajudou!). Esse é o melhor dos três primeiros, é verdade. Em questão de enredo, ele é quase ótimo, só deixa a desejar em alguns detalhes, que infelizmente eu não posso falar sem dar spoilers (se você quiser conversar sobre esse livro comigo, pode me mandar mensagem!). O livro tem um ritmo bom, complicações interessantes, revelações super válidas e uma certa conexão com os anteriores que fez a história parecer completa. 

 

 

Mas eu tenho duas críticas mais básicas e uma bem importante a fazer. A primeira delas vai contra a última coisa que eu falei, da conexão com os outros livros. Muitas vezes nesse daqui eu senti que a autora tinha planejado a história inteira e estava só seguindo seu caminho. A parte do Sebastian, em compensação, me pareceu aleatória, uma ideia tida já depois do segundo livro que a autora resolveu usar de última hora. O próprio personagem não me convenceu muito durante o livro todo e estou apostando que ele só existe para os próximos três livros.

Aliás, uma crítica que eu nem esperava fazer é sobre o Valentine. Não sei de onde a autora tirou a criação dele (ops, provavelmente do Harry Potter, né), mas ele sempre foi caricato demais para mim. Ele é O malzão, sempre o malzão, o grande vilão. Isso deixa a história um pouco infantil (não que ela seja realmente infantil, mas é um toque que não precisava ter). Prefiro livros em que os protagonistas lutam contra algo, e não alguém. Ou talvez as semelhanças enormes dessa série e principalmente do Valentine com a série do Harry Potter me impeçam de acreditar nele como um problema válido para três livros inteiros.

Mas essas nem são minhas piores críticas. Essas são as básicas. A mais importante é em relação à Clary.

Quero deixar bem claro aqui que o problema obviamente está no que a autora fez e que eu nem gosto de criticar personagens femininas, mas odeio ainda mais autores que criam em seus livros garotas estúpidas e inúteis que só servem para propagar o estereótipo de que mulher só estraga tudo.

A Clary é, infelizmente, a típica protagonista de livros adolescentes que saíram da era Crepúsculo. Ela não tem nada, absolutamente nada de especial, nem tem personalidade, nem beleza (sério, se ela fosse considerada maravilhosa fisicamente, juro que já ajudaria muito), mas mesmo assim tem dois caras completamente apaixonados por ela. Um deles, o Simon, faz mais sentido, porque ele a conhece faz anos. Mas eu nunca vou entender o que fez o Jace se apaixonar por ela (à primeira vista, aliás, o que é mil vezes pior) e nunca vou acreditar nesse amor. Por causa disso acho que não me importo muito se eles ficam juntos ou não. (E olha que uma grande questão da história é esse amor 'proibido'.)

Mas esse defeito dela seria muito fácil de superar e nem estragaria a série, se não fosse pelo fato de ela ser completamente burra. Burra. Ela é muito burra, e eu juro que não uso essa palavra à toa. A autora lhe fez um desfavor enorme quando a criou, porque ela é burra como uma porta. Tudo precisa ser explicado para ela nos mínimos detalhes. Mínimos, mesmo que seja coisa que todo mundo já percebeu, porque, bem, ESTAVA ÓBVIO e explicar fica redundante a ponto de me fazer querer pular linhas (não pulo, vai contra minha religião, mas mesmo assim). Não sei se a autora realmente vê a Clary como uma garota burra que precisa que alguém sempre pense por ela ou ela acha que seus leitores são assim e colocou a protagonista desse jeito para ajudá-los, só sei que ela ser burra foi algo terrível para mim. Ela literalmente chega a ter a solução para um problema na manga do seu casaco e nem pensa naquilo quando as pessoas tentam decidir o que fazer. Ela tem um poder único, e nem tenta aprender a melhorar nele e estudar seus limites para ver se pode fazer alguma coisa para ajudar.

Infelizmente, além de burra, ela é inútil. Desde os livros anteriores ela vem sempre falando que "quer brigar também", mas chega na hora e não consegue dar um soco antes de levar um e ficar desacordada (fazendo os outros terem que se preocupar com ela, aliás). Além disso, ela toma todas as suas decisões do nada, sem pensar por dois segundos. Eu mesma odeio pessoas indecisas, mas tem uma grande diferença entre não saber se decidir e pensar minimamente antes para ter alguma segurança de que está fazendo a coisa certa. Ela é muito inconsequente, mesmo no meio do que é literalmente uma guerra. O ápice disso foi o final, quando ela quer resolver tudo ela mesma e acaba virando refém antes mesmo de saber se chegou onde queria. Muito idiota da parte dela, sério. Ela é bem do tipo de protagonista que não sabe fazer nada sozinha, que sempre precisa de alguém pensando por ela, tomando atitudes por ela e, pior do que tudo, a salvando. Me peguei muitas vezes a imaginando correndo desesperadamente como um bebê que destrói tudo em seu caminho, com todos os outros personagens correndo atrás dela, limpando sua bagunça e a salvando no último segundo de algo sem volta.

Vou dizer aqui que, sim, ela tem um papel importante no livro, que é basicamente desenhar, mas ele acaba se tornando muito pequeno comparado à adoração que ela recebe por simplesmente existir, principalmente levando em conta todos os problemas que ela essencialmente causou para quem estava em volta. Eu odeio livros que têm protagonistas femininas assim, vivo por aqueles sobre garotas incríveis, sejam elas fortes ou fracas, feias ou bonitas, bobas ou espertas. A Clary foi mal feita e, ainda que a autora tivesse convicção de que criar uma personagem assim era uma boa ideia (ignorando o estereótipo que ela passa), nunca que ela deveria ser a protagonista.

Uma série precisa de um protagonista minimamente interessante e inteligente, que pelo menos não obrigue a narrativa a ficar repetindo explicações ou usando todas as palavras possíveis para que ela entenda. Por exemplo, usando aquela série na qual a Cassandra Clare claramente se inspirou, Harry Potter. Não faria o menor sentido contar toda aquela história pelo ponto de vista de um personagem qualquer que não fosse ele. De fato, nem faria sentido contar pelo ponto de vista do Neville. E ninguém pode negar que ele teve um papel recorrentemente importante durante a série. Ele só não tinha calibre para ser protagonista.

E, não, o Harry Potter não é o melhor protagonista que já existiu. De fato, ele é o mínimo que um protagonista deve ser. A Clary não é nem isso. Instrumentos Mortais teria sido uma série excelente com uma protagonista melhor trabalhada, e nada me entristece mais do que ver uma história boa ser desperdiçada porque a autora não queria criar sua protagonista direito. 
 

 

Uma parte do livro me fez rir. Rir. Quando dizem que o Jace vê a Clary como forte, quando o Simon diz que ela mataria o Jace se ele a machucasse. Foi preguiça da autora só falar essas coisas e em nenhuma, absolutamente nenhuma cena dos três livros provar que ela é assim? Ou ela realmente queria que eu risse?

Só para lembrar, o livro é bom, se você conseguir relevar a protagonista. Não sofri para ler como nos dois anteriores e estou mais animada para os próximos. Mas eu nunca vou conseguir gostar muito dessa série.

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Sobre a Autora

Laura Machado

Laura Vieira Machado nasceu em Minas Gerais em 1991. É formada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo. Fala cinco línguas e, quando tinha vinte anos, foi morar na Europa durante dez meses, alternando entre Alemanha, França e Espanha, aproveitando para visitar vários outros países e colecionar memórias inesquecíveis. Na Inglaterra, fez questão de conhecer a casa onde morou Jane Austen, uma de suas autoras preferidas. É mais viciada em café do que Elisa Pariseau. Assiste a muitas séries e não conseguiria viver sem música. É apaixonada por livros românticos e intensos. Escreve o que lhe dá vontade de ler.

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A Princesa Escondida

Primeiro livro da série, A Princesa Escondida foi publicado em Junho de 2017 pela Editora Novo Século, com o selo Talentos da Literatura Brasileira. 

Sobre o Livro

Primeiro livro da série, A Princesa Escondida foi publicado em Junho de 2017 pela Editora Novo Século, com o selo Talentos da Literatura Brasileira. 

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