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RESENHA: Três Coroas Negras (Blake, Kendare)

October 2, 2019

Sinopse:

Três herdeiras da coroa, cada uma com um poder mágico especial. Mirabella é uma elemental, capaz de produzir chamas e tempestades com um estalar de dedos. Katharine é uma envenenadora, com o poder de manipular os venenos mais mortais. E Arsinoe é uma naturalista, que tem a capacidade de fazer florescer a rosa mais vermelha e também controlar o mais feroz dos leões.

Mas para coroar-se rainha, não basta ter nascido na família real. Cada irmã deve lutar por esse posto, no que não é apenas um jogo de ganhar ou perder: é uma batalha de vida ou morte. Na noite em que completam dezesseis anos, a batalha começa.

 

O QUE EU ACHEI:

 

A razão que costuma fazer algumas pessoas não gostarem desse livro é o fato de ele ser muito introdutório, quase como um prólogo da verdadeira história. Eu já sabia disso antes de começar a ler, antes até de comprar o livro, então não esperei nada diferente. Nenhuma das estrelas que eu tirei da nota são por isso.

Na verdade, não tem nada de errado em um livro introdutório, mas a autora teria desagradado muita menos gente se a sinopse deixasse mais claro que a verdadeira ação e essência da história só começaria depois daqui. Mas, como eu disse, já comecei a ler esperando que nada de muito importante aconteceria e ainda assim me decepcionei. Esse livro é ruim, é péssimo, é tão mal feito, que fico abismada de pensar em como conseguiu ficar famoso mesmo assim. Por que as pessoas sempre parecem preferir livro ruim aos inteligentes e bem trabalhados? Por que tem tanto livro tosco famoso?

Existem milhares de problemas com Três Coroas Negras e até as coisas interessantes aqui foram mal feitas. Vou tentar mencionar e criticar só as principais, senão terei que ficar aqui mais uma semana escrevendo. Primeiro, uma crítica sobre a ideia do livro. Esse negócio de três rainhas que precisam se matar é bem interessante, mas a autora deu por entendido que ninguém iria questionar de onde isso vem, por que vem e por que ninguém vai contra, né? Porque, se você começa a se perguntar o que realmente leva as rainhas - que teoricamente deveriam ser super poderosas - a matarem umas às outras, a única resposta que vai mesmo encontrar é: porque sim.
 

 

Quer dizer, isso foi aceito sei lá quantos anos atrás e desde então todo mundo simplesmente obedeceu? Nem explicam como começou. Acho difícil acreditar que ninguém nunca foi contra, ainda mais quando a morte é vista como algo ruim aqui. Se fosse em uma cultura em que a vida depois da morte fosse venerada como um prêmio ou coisa assim, ficaria mais fácil de acreditar. Se pelo menos a morte aqui fosse algo heroico e honroso. Mas não. É chamado de assassinato e ninguém pergunta se tem como decidir de outro jeito, como, por exemplo, simplesmente escolhendo uma rainha. Tenho certeza de que duas delas super aceitariam não ter poder nenhum pela chance de viver sua vidinha como bem queriam.

Outra coisa que se prova muito mal feita no livro é a ambientação. O único lugar onde ela aparece é entre os envenenadores e praticamente só quando eles estão comendo. Em todos os outros momentos do livro, não existe a menor ambientação, as culturas são aleatórias, a geografia é aleatória, as roupas, raças e costumes das pessoas são aleatórios. Sem querer usar a palavra demais, mas já usando, praticamente tudo nesse livro foi aleatório e parece ter sido decidido na hora em que a autora estava escrevendo. Essa deve ser a única razão para parte do livro se passar "Na Costa Oeste" (segundo o título do capítulo), quando, se você ver o mapa, percebe que estava se passando na costa LESTE.

Agora, às personagens. Nenhuma das protagonistas tem carisma, as três são extremamente superficiais e cheguei ao final do livro não gostando de nenhum personagem, nem das três e nem de ninguém por perto. Mentira, a Natalia é okay. O resto não causa nenhuma impressão, seja boa ou ruim. A Jules tem muito mais foco do que a Arsinoe, mas ela é tão entediante, que toda vez que aparecia eu já começava a revirar os olhos. É maldoso da minha parte ter torcido para ela morrer só para parar de tomar tanto espaço nos capítulos da Arsinoe?

Mas o que mais faltou nas protagonistas faltou em todo o livro: inteligência. Sabe quando o livro tem umas sacadas que tem pegam desprevenido, mesmo que não sejam realmente reviravoltas, mas algo que te faça ver certa complexidade e inteligência da autora na trama? Esse não tem nenhuma. Tudo foi bem amador, o livro parece ter sido o primeiro de uma autora que nem saiu da escola. A ideia que está na sinopse é a única coisa válida da história e nem é aproveitada com inteligência.

Mas, voltando às rainhas. Arsinoe vive na sombra da Jules e consegue ser ainda menos interessante. Katharine é uma verdadeira incógnita. Outra que nunca foi explorada, tem atitudes aleatórias e reações inesperadas. Não tenho a menor ideia de como é sua personalidade - e a verdade é que nem quero saber. E a Mirabella é a pior delas. À primeira vista, ela parece ser a melhor, a mais poderosa, a mais generosa. E a mais qualquer coisa também. Ela é do tipo que se deixa virar prisioneira, sabendo disso e não gostando, mesmo sendo muito mais forte e poderosa do que quem a prende. Vai dizer que não é burrice?
Não via personagens tão mal construídos em muito tempo.

A Mirabella tem um defeito fatal também - um que é da responsabilidade da autora e sobre o qual eu só vi uma pessoa até hoje falando. E, quando falo fatal, quero dizer fatal mesmo. Imperdoável, absurdo. E talvez você considere o que vou falar em seguida como um spoiler, mas prometo deixar tudo que puder incerto para não estragar nada.
Em determinado momento da história, Mirabella, toda poderosa que é, salva um garoto de ser afogado. Ele chega a desmaiar e, depois de tentar esquentá-lo, enquanto ele ainda está desacordado (palavras dele), ela o estupra. Eu poderia falar que ela se aproveita ou que abusa dele, e pensei nisso mesmo, mas a verdade é que ele nem a está vendo, nem olhou em seu rosto (se olhasse, saberia quem ela é e pararia), nem está acordado direito e depois se odeia pelo que aconteceu. Nenhuma outra palavra encaixa. E ela basicamente vai de salvá-lo a se aproveitar dele, o que é mais do que ridículo. Que tipo de pessoa faz isso? Se fosse o contrário, uma garota desacordada sendo salva por um cara que a estupra depois, gosto de acreditar que todo mundo ou muita gente se revoltaria. Por que nesse caso é aceito?
O pior de tudo é que a autora força depois disso um romance extremamente romântico (redundante porque precisa ser), como se eles fossem destinados ou não conseguissem aguentar tamanho amor, a ponto de causar vários problemas. Se não fosse ridículo já o jeito que ela tentou fazer ser romântica a Mirabella perdendo a virgindade para um cara que estava desacordado e não podia responder por si, ela ainda tenta levar esse romance como se fosse o principal do livro.
 

 

Fingindo que essa cena absurda não aconteceu, o romance ainda seria tosco. Aliás, todos os romances desse livro são péssimos, nenhum convence nada. Eles nascem do nada, sem explicação, sem tempo, sem se desenvolver, a ponto de você acabar o livro sem estar nem aí para nenhum deles. Um livro introdutório que não sabe introduzir nem par romântico não pode ser levado a sério, né?

Tá, eu não consigo superar aquela cena da Mirabella. Mas todo o resto foi mal feito. A narração é tão rápida em algumas cenas extremamente importantes, que mal parece que elas aconteceram. É tudo tão superficial, mal feito e bobo. Não tenho ideia do que faz alguém se importar com alguma coisa dessa história.

E, não, o final não compensa, é no mesmo nível do resto, mesmo que a autora tenha tentado colocar alguma ação aqui. Sim, tem uma reviravolta, mas é na última página e só me fez revirar os olhos. Já vi que a autora não tem a capacidade de desenvolver uma história minimamente inteligente, intrigante e caprichada, provavelmente não vou mais perder meu tempo com um livro dela.

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Sobre a Autora

Laura Machado

Laura Vieira Machado nasceu em Minas Gerais em 1991. É formada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo. Fala cinco línguas e, quando tinha vinte anos, foi morar na Europa durante dez meses, alternando entre Alemanha, França e Espanha, aproveitando para visitar vários outros países e colecionar memórias inesquecíveis. Na Inglaterra, fez questão de conhecer a casa onde morou Jane Austen, uma de suas autoras preferidas. É mais viciada em café do que Elisa Pariseau. Assiste a muitas séries e não conseguiria viver sem música. É apaixonada por livros românticos e intensos. Escreve o que lhe dá vontade de ler.

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A Princesa Escondida

Primeiro livro da série, A Princesa Escondida foi publicado em Junho de 2017 pela Editora Novo Século, com o selo Talentos da Literatura Brasileira. 

Sobre o Livro

Primeiro livro da série, A Princesa Escondida foi publicado em Junho de 2017 pela Editora Novo Século, com o selo Talentos da Literatura Brasileira. 

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